O humor alerta em “As Mulheres, os Hormônios e Eu”

Rosa Rosah e Walmir Pavam
no palco da sala Alberto Guzik,

na SP Escola de Teatro

Assisti à última apresentação da peça “As Mulheres, os Hormônios e Eu” agora à noite com a expectativa de que fosse uma comédia ruidosa e liberadora. Constatei ser liberadora, embora o ruído, um pouco mais grave do que antecipei. Trata-se não propriamente de comicidade, mas de humor o que está presente no ótimo texto de Nanna de Castro, aqui dirigido por Lilian Domingos. Humor no sentido pirandelliano da reflexão. Não mulheres à beira de um ataque de nervos, mas um homem, um ginecologista em pânico diante do quadro “A Origem do Mundo”, de Gustave Courbet. 

Meu irmão, Walmir Pavam, é o ginecologista Sigmar em crise e a divertida e versátil Rosa Rosah, sua terapeuta à beira da menopausa. Eles se entreolham em seus problemas e complexidades. Walmir por vezes me lembrou o italiano Alberto Sordi mais enlouquecido, assumindo o grotesco da persona representada. Rosah soube ser inconformada, engraçada, triste, uma generosa atriz.

É tudo o que posso dizer para que vocês se animem a ver esta peça numa próxima temporada, quem sabe ano que vem. De modo a concretizar esta montagem, eles contaram com o espaço da SP Escola de Teatro, na praça Roosevelt, e com uma campanha de crowdfunding para a qual me emocionei de ter contribuído. Tudo é emoção, aliás, neste mundo em que a arte, para ser exercida, precisa de nós.

Não percam a próxima ocasião!

Deixe um comentário