43 mortes na Baixada Santista até agora.
E o secretário de segurança deste estado anuncia-se orgulhoso do que fez e fará, assim como o governador, que corre a Israel para ver como se encaminha de fato a extinção de um povo.
E o povo?
O povo não tem quem brigue por ele.
O povo não pode protestar por pura impossibilidade, já que a polícia o ameaça à luz do dia, em suas casas e até em seus enterros.
E nós?
Anestesiados, né?
Cansados de saber como opera a justiça?
Hoje vi um vídeo no qual o corpo de um jovem com um buraco na cabeça é carregado sem vida por outros jovens. Negros, em sua maioria. Mas brancos também.
Pobres.
Se não foi fácil de ver, imagine então, naquele lugar, ser.
Pobres e jovens que não importam, para quem não há comoção popular, nem uma pálida movimentação de justiça.
Há muito tempo vivemos de Gaza em Gaza a somar os sonhos interrompidos. O veneno do extermínio tornou-se vício. Um concentramento.
Enquanto isso, a classe média da Baixada sai em passeata para defender a meticulosa concentração desse extermínio.
Dá nem alegria de existir enquanto a polícia militar também existe.