Coppola, à espera de um lugar ao sol de Hollywood para seu “Megalopolis”

À véspera de completar 85 anos no dia 7 de abril, o diretor Francis Ford Coppola apresentou seu novo filme, “Megalopolis”, cujo projeto iniciou em 1983, em uma sessão especial para magnatas da distribuição, da exibição e da publicidade. O filme explora os embates entre sonhadores e pragmáticos durante a reconstrução de uma cidade acidentalmente devastada. Adam Driver, Shea Le Boeuf e Jon Voight estão no elenco.

Ao final da sessão, apurou o “Hollywood Reporter”, os poderosos não disfarçaram o mal-estar. Eis um produto impossível de vender. O filme não distingue bandidos de mocinhos, mostra umas esquisitices indie lá pelo meio e se desenvolve em mais de duas horas sob um ritmo longe de ser frenético.

Nos bastidores, os magnatas consideram que o pessoal alternativo deveria cuidar do bebê. O problema para que isso ocorra, já se pode imaginar: os alternativos não têm os 100 milhões de dólares que Coppola calculou necessários para a distribuição, a exibição e a publicidade. O diretor precisa retornar o que gastou sozinho para produzir o filme, alegados 120 milhões de dólares obtidos com a venda de parte de sua vinícola estimada em 500 milhões. Quanto ao streaming, só ele não faz tudo.

O cineasta deve estar habituado ao processo. “O Fundo do Coração”, lançado em 1981, faliu seu estúdio. A história se repete como farsa, quiçá alegoria para o fim de um sonho de cinema. Coppola terá energia para empreender via crúcis semelhante depois quatro décadas, ademais no ambiente de derrocada atual? Ele deve se lembrar todos os dias do que leu entre os escritos deixados pelo filho roteirista, morto em um acidente de carro: “A arte não dorme”. Tantos deuses do crepúsculo quebraram estúdios no passado sem deixar de ser deuses.

Já preciso ver este filme, que no mínimo deve ter funcionado, aos magnatas, como um espelho.

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