Amores, comecei hoje a comentar em meu blog alguns filmes da mostra. Decidi escrever textos rápidos, às vezes no saguão do cinema mesmo, para dar conta mínima da sensação tida por mim ao vê-los. Nenhum veículo de imprensa quer saber das minhas impressões, e minhas impressões são livres.
Principalmente, preciso esclarecer que não dou dicas de filmes. E não dou por uma razão simples. Minhas dicas podem não servir a ninguém. Busco no cinema coisas minhas. Vocês também, aposto! E raramente encontramos quem pense como nós, não é assim? Então, jamais ousaria dar dicas generalistas e impositivas.
Não encarno um espírito de época, nem um pensamento em comum. Na minha vida, quando analisei cinema, logo os jornalistas brasileiros da área tentaram me esconder e anular. Tinham suas razões. Escrevo compromissada com minha busca pelo cinema, não para que um grande público me aprecie.
Gosto e desgosto de filmes de um jeito que pode incomodar. Acolho os politicamente incorretos, por exemplo, desde que sejam bons filmes, a respeitar o cinema como uma categoria do narrar/pensar com ritmo. Raramente me interessam aqueles feitos para estimular de algum modo nossas vidas (se não me encanta a auto-ajuda nos livros, não buscaria isto nos filmes). Amo ver o cinema assumir riscos, passar por pontes estreitas, dizer por meio da montagem e da imagem, não quando ele é um novo meio de fazer tevê, por exemplo. Enfim, muitas das coisas que aprecio ninguém precisa gostar.
Tudo isto dito, sinto muita alegria quando vocês acompanham minhas publicações. Uma esperança danada, uma vontade de viver.