Hoje acordei de um sonho explosivo. Pessoas do mal me metiam num jogo de morte, mas, de forma miraculosa, eu conhecia as regras e sobrevivia a seus ataques. Acordei suada, sentindo um alívio tremendo.
Fui ver que horas eram. Na tela do celular, abriu-se a manchete: a palavra “Lula” estava unida à expressão “hemorragia cerebral”. Por pouco não fui eu também a espalhar sangue pela cabeça. Vivo sobressaltada. Aposto que todos nós.
Dois cafés depois do sonho, desço à rua e deparo com quatro PMs numa ponta da praça vizinha. Ao lado de suas motocicletas estacionadas, olhavam os celulares. É uma tradição. A puliça faz ponto na avenida mas não coíbe assaltos. Certa vez, à noite, apelamos para que uns soldados, igualmente estacionados ao lado de suas viaturas, respondessem ao apelo de um ciclista que presenciara roubo de celulares na vizinhança. A resposta dos policiais: “Não podemos sair daqui e deixar os carros sozinhos.”
Antigamente, pela manhã, eles se exibiam naquela ponta da praça ao lado de seus cavalos, deixando a bosta dos bichinhos para alguém limpar. Hoje, os quatro policiais motoqueiros ali presentes tinham, como sempre, uniformes e tênis novos. Olhei para suas motos estacionadas e vi a marca: BMW, meu povo.
Entendo que se exibam com motos desse porte para demonstrar força. E intimidar. Na noite em que apareceu o filme do jovem arremessado da ponte, as viaturas zuniam pra lá e pra cá. Eles parecem estar sempre no cio. Ainda bem que o tombo de Lula não teve consequências piores e que meu inconsciente parece convencido de que eu sei jogar.