A farra do Padilha

Tanta gente desiludida com Padilha e eu só penso: como se iludiram? Gostaram de Tropa de Elite? Sim, gostaram. Percebi naquela redação erroneamente classificada como de esquerda que gostaram. Uma tristeza ter de aceitar essa preferência, então, como “progressista”. (Vivi o trauma de driblar o gosto alheio pra ser jornalista. Assim são as revistas, a informação que veiculam e até mesmo a língua portuguesa que proclamam: hierárquicas. E enquanto isso, comicamente, torcemos para saber furar o bloqueio.)

Não consegui ver nem dez minutos dessa porcaria de desce-pro-play. E Narcos não se vê, consome-se.

O sujeito tem suas ideias, especialmente ideologias, e as produz, mas não é um diretor. Tropa de Elite só funcionou porque foi remontado pelo Daniel Rezende, que percebeu ser o personagem de Wagner Moura o principal. E o Moura adorou o sucesso que teve porque almeja o sistema hollywoodiano. É um ator talentoso, mas não me interessa, não me diz.

Ele já se pronunciou sobre O Manifesto? Desculpe, Mecanismo? Vai ser interessante.

Me divirto em pensar que Selton Mello imaginou uma carreira no exterior semelhante à dele a partir da parceria com o Padilha. Pra ser colombiano bandido em Hollywood, o cabra tem de ser bom.

Juro que fecho meus olhos quando penso que Wagner Moura vai dirigir uma cinebiografia de Marighella com Seu Jorge como protagonista. De todo modo, algum técnico bom deve trabalhar por ele, como aconteceu na estreia de Murilo Benício. Uma suposição, me entendam… Começo a admirar Benício, uma vez que, durante a mostra internacional em São Paulo, assumiu não ter feito realmente o primeiro filme que lançou como seu.

Padilha é um profissional do sistema: remunera o pessoal com o dinheiro alheio de seu marketing-embromation e põe o nome no fim. Chefinho desde Carvoeiros, sua obra número um, que ele conduziu com um americano, o autor… Digo isso há quase vinte anos, mas não sou lida. E nem de longe estou sozinha nisso. Basta não proferir o que o sistema pensa pra sua carreira beirar o precipício. O fracasso ético é o sal envenenado de nossa imprensa.

Desejo boa sorte a todos. Os que ficam no Netflix, os que saem. Não vai adiantar sair ou ficar. O economista Padilha é que não vai sofrer, dinheiro não lhe faltará. E ele sempre dependerá da propaganda que gentilmente lhe faremos quando protestarmos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s