são faróis

deixe em paz meus olhos,
traga-os de volta a mim.
devolva-os agora que incendeiam
sob o amanhecer de maio,
longo mês das noites claras e dos sonhos frios.

traga-os calmos, pacientes, fundos, ainda que soçobrados em dor,
fera cotidiana.

eu estarei à espera do que eles dirão
à inocência deste coração
em brasas que é o meu,
e que palpita triste,
por nele caberem todos a quem os déspotas apontam, em riste,
negros fuzis de balas reluzentes.

estou só, sem os olhos que
arrancou de mim,
ocultos em nuvens vermelhas, despedaçados na bandeira
roubada de seus primeiros horizontes.
encontro-me sem sentido,
brasileira, longe de vislumbrar o caminho de retorno.

deixe em paz meus olhos roubados,
traga de volta a mim aqueles
cujo brilho o mês de maio verterá
em inverno, em ausência.

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