Fantasiar, ultrapassar

O genocídio dos ianomâmis, tramado meticulosamente por quatro anos, rasgou minha alma por um bom tempo. Diversas vezes ao dia, fantasio. Na minha imaginação estou no galho chacoalhando a Danares até ela admitir, pisando no pescoço de verme para ver sua língua desmilinguida se desmanchar e enchendo de sabão a boca sem lábios do marreco, até que se afogue.

Mas, enquanto incendeio em silêncio, procuro pensar que Lula e seus ministros estiveram lá entre os ianomâmis para ver e resolver a situação, não só emergencialmente. Fujo do arrepio de pensar que por pouco ele não teria sido nosso presidente e sorrio constatando que felizmente ele existe, está lá e está forte.

Também não paro de pensar no que o Daniel Alves fez com uma mulher que, do nada, ele achou por bem unilateralmente possuir, como um porco no saloon do Dirty Harry. Que ódio da existência monstruosa de tais seres inchados pelo futebol. Esses, minha imaginação infantilizada só pensa em socar, mas sem sujar as mãos – apenas segurando as molas com luvas do Looney Tunes. De novo, que bom que o porco estava na Espanha e que o país foi incapaz de brincar em serviço, como a Itália fez. E que fibra a dessa vítima, jogando na cara que não quer acordo, dinheiro nenhum, só justiça e acabou.

Espero que os “mas” nessas situações me ajudem a relaxar. Arre que a gente precisa seguir vivendo. Que eu afaste esses fantasmas do meu coração, possa dormir de novo e amém.

2 comentários sobre “Fantasiar, ultrapassar

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