A lambança que a direita ainda pretende fazer no Brasil com o apoio de boa parte da população – a sempre ignara e sofrida, além daquela outra, a sempre desavisada de que da média não passará – me deixa no chão. Mas, como sou bicho velho, também pinçado por uns bons sofrimentos, levanto, dou a volta por cima e nunca me entrego, eu não, carcará.
Hoje, quem piscou para meu espírito abatido foi Gilmar Mendes. Ave nem tão rara, ela soltou as penas contra a imprensa (Globo) e os juízes criminosos (Lava-Jato). Nosso lorde ficou puto com a tentativa de seu indiciamento pelo senador que relatorizou o crime organizado sem responsabilizar o crime organizado. E sacudiu a poeira como um queer inglês, um Dirk Bogarde embeiçado:
“Janot de triste memória!”, proclamou sobre o ex-procurador-geral lavajatista que um dia (lembram em 2017?) entrou no plenário do STF com a intenção de matá-lo e a si próprio, mas que no fim deixou “o bom senso” dirigi-lo e não apertou o gatilho. “Ou alguém aqui não sabe que às três horas da tarde Janot já estava bêbado?”
Ah, autoridade. Não me esqueço de seu passado, mas por este presente que fez meu fígado renascer, obrigada. Não dispenso, todos sabem, os beiços de um sorriso, nem aqui nem nos stories do Instagram que se tornaram meu destino escondido, as vozes que clamam, os elos que tagarelam, hasta la vista!