Breathless

Amo Mapplethorpe, o fotógrafo, e sempre saio à procura de suas imagens por este google vagabundo. Acabou minha grana pra livro, as bibliotecas estão fechadas, vou de google ou não vou.

Sonho com algo de Mapplethorpe que eu ainda não conheça. Mais uma flor, quem sabe?

Confesso que ainda não tinha visto imagens de Richard Gere por ele, como esta postada acima.

Não o julgava bom ator quando jovem, mas adorava a versão bem cínica do Acossado rumo ao México de que ele participou, “Breathless” ou “A Força de um Amor”.

Achava a partner dele no filme, uma dessas francesinhas miúdas, muito inferior à Jean Seberg do Godard.

Dizem que foi Gere mesmo, não o diretor Jim McBride, quem a escolheu, entre uma centena de candidatas.

(Que essa história de escolher par romântico em filme deve ser estranha, nem me fale…)

Mas o filme é gostoso de ver. A trilha, uma delícia.

Sempre achei o Gere o máximo de sabido. Kurosawa o entendeu com cara de japonês e o pôs em “Rapsódia em Agosto” para revisitar Nagasaki na pele do descendente americano de uma família. Que grande o Kurosawa, né gente?

Movida por este gere-mundo, fui assistir hoje a um streaming de “Gigolô Americano”, do Paul Schrader, sucesso nos anos 1980. E concluí que o filme mais se parece mesmo é com um screaming, um grito perdido no tempo. Muito ruim de doer, tem aquela fotografia noturna assimilada pela propaganda brasileira dos anos seguintes.

Era um tempo de liberação sexual, pré-Aids, de abertura do cinemão para a estética e a temática pornôs. Mas o filme não tem nada demais, contenham-se… É tudo insinuação mixuruca. E o gigolô está neste mundo para fazer felizes as mulheres ricas de idade! Uma espécie de agente bom de corte sem a comédia voluntária daquele filme com o Adam Sandler.

Até corrigiram o diastema da querida Lauren Hutton, para que ela parecesse perfeita… E assim a gente a constata perdida no meio daquelas piscadelas de neon.

Mas Gere é sempre Gere, mesmo bufando, como acusava Paulo Francis, aquele ressentido. Atualmente o ator continua lindo e solto por aí, budista, auxiliando os africanos rejeitados na Europa.

Por que pedir mais de alguém?

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