A alegria que se foi

Morreu o Diet, o jornalista mais doce

Chamavam o Marcos Filippi de Diet como antes os pretos eram Chocolate. Não havia razão para essa chacota pra cima de um menino tão do bem. Era preciso ser forte na redação do JT. E ele nasceu sabendo como fazer. Para lutar por seu trabalho, sorria com eles, não deles.

O gordinho é figura descolada neste planeta ou não sobrevive. O Diet lutava do seu jeito. Ouvia uma piada e assimilava o soco com o air bag do humor. Era um mascote, ganhava mais carinhos. Precisavam dele na cultura. Sabia tudo de rock e falava inglês, se me recordo bem. Não era pra todo mundo naquele tempo.

Mas ele assimilava a zona toda, sorridente sempre, sorridente eu não sabia bem de quê ou principalmente por quê. Talvez de tudo e de si mesmo. E talvez porque fosse mais simples. O sorriso inclui, o sorriso conquista e faz esquecer.

Sofria sozinho diante do computador, contudo, que eu via, e suava bastante, sempre prestativo até não poder mais. Eu era subeditora, adorava pegar texto dele pra fechar, mas ele ficava tenso sempre: “Deu certo?” dizia pra gente com os olhos.

Nosso Diet, o jornalista, como poderia ser esquecido? Soube pela Paula Medeiros que ele morreu hoje de um infarto fulminante. No fundo, não vou acreditar.

Um jornalista tão inteligente que não tinha turma na redação! Não tinha lado.

Bem, tinha um lado, sim. O Santos Futebol Clube.

Esse lado, nós dois compartilhávamos. Ele era santista, como esta linda foto de perfil no face faz questão de mostrar. Conversávamos então sobre isso. 

Digo, eu puxava o assunto, porque queria entender o que rolava, quais eram as contratações prometidas, de que jeito o time levaria o jogo na próxima partida. Futebolês que sempre amei. Ainda não havia a conquista de 2002, mas nós já tínhamos Giovani de quem depender ou por quem lamentar.

E eu ficava feliz porque, sendo mais velha que o Diet, vinda de um outro mundo de expectativas, podia compartilhar ao menos suas dores e glórias futebolísticas. Sofríamos calados quando tudo dava errado (isto é, quase sempre) e, quando nos saíamos bem pra cima daquele mar de tifosi de outras bandeiras, porque a única coisa que se fazia naquela redação era mesmo torcer, o regozijo vinha bem maior.

Saí do JT e não soube mais o que foi feito do menino feliz.

Espero só isto mesmo. 

Que tenha sido feliz.

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