quase kafka

acordei de um pesadelo.

minha antiga insana patroa morava comigo.

e eu não conseguia tirá-la de casa.

(lá onde eu vivia com uma porção de gente.)

somente eu sabia quem era aquela mulher de fato.

minha família a tratava bem porque não atestara seus malfeitos.

meus mínimos gestos, vestuário, cabelo, bijus, tudo se tornava objeto de seu sarcasmo quando estávamos sós.

“mas ela só está brincando. ela é de esquerda, ela é do bem”, argumentavam os próximos, se eu reclamasse.

a certa altura eu abria a porta da casa.

ventava.

e na calçada a mulher ria feito gralha diante do witzel, a quem, submissa, solicitava o revólver.

eu sabia que vivia uma ditadura.

mas minha família não tinha como saber.

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