Sobre o Sayad que conheci

Compartilhei algum espaço na vida com o João Sayad, que morreu hoje, inesperadamente para o conhecimento da maioria de nós.

Uma vez, nos anos 1980, ele caminhava ousado, sem segurança, pelo repleto viaduto do Chá, mesmo sendo autoridade da economia do Sarney. Parecia um desenhinho andando rapidamente, encurvado, de terno escuro, com as mãos no bolso e todos os olhos a seu redor. Esperei pelo pior, mas não veio. Tinha determinação e estrela, por certo.

Depois eu o entrevistei como secretário de Cultura do Serra, nos anos 2000, e foi uma enxurrada de coisas gritantes ditas por ele naquele tom baixo, calmo e irônico, pelas quais, como repórter, agradeci bastante.

Esse que era tão grande amigo de Fernando Haddad queria acabar com o programa Manos e Minas da TV Cultura, que a seu ver era muito ruim e destoava de tudo. E desejava resultados espelhados na PBS estadunidense.

E, mais divertido, me contou que Serra ligara puto pra ele depois de um Roda Viva com Gilmar Mendes no qual a Catanhêde resolvera “desafiar” o presidente do STF. Sem noção que sou, já fui dizendo que era mesmo estranho ele mandar soltar o Dantas. E Sayad, cândido: “O Daniel?” Sem deixar de completar, no seu tom baixo: “Eu também não gostaria de ser levado preso de pijamas à noite.”

Estava quase gostando bastante dele, mas não consegui.

Que vá na luz.

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