O grande Hansen que hoje partiu

O professor João Adolfo Hansen, um incêndio particular                                   

(Foto Toni Pires)

Hoje morreu aos 83 anos, após combater um câncer, o imenso professor João Adolfo Hansen. Foi ele a me ensinar sobre o barroco literário durante a graduação na Universidade de São Paulo. Em anos nos quais pretendi estudar Letras, eram muitos os mestres designados ao nosso ensino, de Alfredo Bosi a João Luiz Lafetá. E embora Lafetá me fascinasse, era Hansen quem constituía meu incêndio particular. Não só porque fumasse ao infinito, hábito que acabou por abandonar nas últimas décadas de vida. Hansen iluminava nossa cabeça atormentada como um farol no mar. 

Suas aulas não tinham intervenção, não a minha, ao menos, que costumo cometer o erro de palpitar a partir das palavras de fascínio recebidas desses grandes. Todos esperavam por sua aula, e todos se continham diante dele. Era um gozador letrado, que fazia bailar os dedos entre as pontas de cigarro, um dos pés sobre a cadeira, um dos braços apoiado nessa perna, e a cabeça sempre a olhar para cima, para o distante, para o tempo histórico.

Nunca me esqueço do divertimento desse bailarino ao saber que a rara gramática latina deixada por ele no xerox da universidade tinha sido roubada. “Quem poderia imaginar um ladrão para uma gramática de Latim?” E ria sem parar. Hansen era a modernidade (era e ainda é), embora estudasse um tema longínquo, que até a própria USP retirou de sua grade de graduação, a literatura brasileira dos séculos XVI e XVII, justamente quando tínhamos o relevo imbatível entre os antigos artistas colonizadores europeus.

Quando soube, em novembro de 2014, que era ele o editor/organizador de um dos códices da obra de Gregório de Matos, recentemente lançado, pulei da cadeira entediante de editora servil a Senhor Democracia e gritei que esse lançamento precisava de mais de uma página, espaço (raramente) legado aos livros e autores tidos por difíceis. Bateram o pé contra a ideia, mas eu bati mais. No fim, o espaço ganho de três páginas ficou pouco para a diagramação que o condenava, e eu não pude escrever muito. Não pude ou não soube me estender nas entrelinhas do protesto de Hansen contra a USP que o maltratava, tendo eleito os estudos sobre a literatura modernista como os principais da academia. Contudo, eu pude escrever que Gregório de Matos era uma construção mal entendida por meus contemporâneos, conforme Hansen ensinou.

Republico a seguir o texto que fiz a partir da entrevista.

O poeta Gregório de Matos

O poeta é um fingidor

João Adolfo Hansen edita os poemas de Gregório de Matos de modo a desfazer a rebeldia e a maledicência associadas ao escritor

POR ROSANE PAVAM

Conhecem-se os sábios pela pinta. A do baiano Gregório de Matos e Guerra, formado em Direito Canônico, era a de dizer sem pena. Pois certa vez esse inimigo amargo da hipocrisia julgou um caso em Portugal. O pai de uma jovem morta em Alcácer do Sal exigia que o viúvo Paulo lhe devolvesse o dote concedido um ano antes, por ocasião do casamento. Isto porque o genro, depois de adornar a defunta com palma e flor, fizera publicar que ela havia falecido intacta. Matos não pensou demais para sentenciar Paulo com uma trova mínima: “Gaita de foles não quis tanger, olhe o Diabo, o que foi fazer.”

A verve da sentença exalava vulgaridade naquele século XVII no qual os poemas eram tirados em desafio, mais cantados e ouvidos do que lidos. Quando regressou à Bahia, aos 50 anos, Gregório de Matos frequentou os certames literários nos quais os religiosos se misturavam aos poetas. Em Lisboa, havia dito ao bispo João da Madre de Deus que, apesar de versado nos direitos divinos, era homem e não conseguiria manter o voto de castidade a fim de se tornar padre. Ele usaria cabeleira vasta e roupas coloridas para, a bordo de uma viola cabaça, cantar contra os donos da vida até o dia da sua morte aos 60 anos, em 1696.

Nunca se contestou sua verve, mas sua história. Nenhum verso de Gregório de Matos se pode dizer certamente seu, porque ele jamais assinou um poema. E sua obra ganhou inúmeras cópias manuscritas, feitas às vezes por baianos de origem negra cultos a serviço de escritórios literários, com alterações incontroláveis de termos. Nem mesmo o retrato requintado que o século XIX lhe deu pertence a ele. Embora esse grande poeta tenha existido, sua obra não foi o que se disse ser.

Nos cinco volumes agora lançados em capa dura pela editora Autêntica, são apresentados os poemas atribuídos a ele no século XVIII por Asensio-Cunha. Embora impressionantes, os livros não representam a inteira verdade sobre o poeta. Ilustrados na versão brasileira com as imagens do italiano quinhentista Ulisse Aldrovandi, eles apenas constituem um dos caminhos para compreender um outro pensamento, distante da ideia de autoria, de público leitor e mesmo de obra literária como a conhecemos. Um mundo anterior à Revolução Francesa, que estabeleceria o “eu” burguês contra o “deus” aristocrático. Gregório de Matos nasceu e cresceu segundo o estabelecido pelo divino. Além de heterossexual, dizia-se um católico branco, proprietário de terras. Não queria, nem poderia, ser visto como um judeu pervertido, errante e plebeu em plena vigência da Inquisição.

“Em verdade, o que esse poeta tem é o eu inflado da verdade da instituição e das instituições”, acredita João Adolfo Hansen, 72 anos, professor-titular aposentado da Universidade de São Paulo, o maior especialista brasileiro em Gregório de Matos e organizador, junto ao filólogo Marcello Moreira, do códice Asensio-Cunha. “Sua obra é totalmente regrada por preceitos retóricos e não tem o sentido de superação da ordem vigente”, diz Hansen, ainda a investir contra os moinhos da academia.

Morador de um amplo apartamento projetado por Villanova-Artigas no bairro paulistano de Pinheiros, repleto de estantes estreladas por dois tomos de Dom Quixote presenteadas pelo pai na infância e objetos da cultura popular brasileira ou africana, ele desconfiou de alguma coisa errada desde a graduação. À época um professor mostrou-lhe um modelo poético que parecia remeter diretamente ao baiano, mas não era Matos o autor. Em 1988, depois de observar o que estudavam seus contemporâneos e entender que o poeta trabalhava dentro de um modelo literário seguido entre outros por Quevedo, Shakespeare, Giambattista Marino e John Donne, Hansen publicou o doutorado com essas conclusões, intitulado A sátira e o engenho, vencedor do Prêmio Jabuti.

Ao ler as preceptivas artísticas do século XVII e cruzar os poemas com os tratados de teologia, as cartas do império e os documentos da Companhia de Jesus, o professor de frases longas e grande fôlego, recuperado nos últimos cinco meses após abandonar o cigarro de cinco décadas, concluiria que aquela imagem do poeta até hoje presente não corresponderia à real.

Gregório de Matos foi transformado em mito no século XIX. Em 1850, o historiador Francisco Adolfo de Varnhagen intitulou-o “rebelde” e vinte anos depois o crítico Silvio Romero entendeu-o como nascido da fusão de negro, índio e branco, a criticar a separação das três raças enquanto contestava a opressão da Metrópole. Os muitos códices caminhavam nesta direção, a de desenhar seu perfil de poeta segundo uma ordem narrativa que intrincasse poesia e vida a partir das didascálias, que eram os títulos dos poemas acrescido de explicações. No século XX, o crítico Antonio Candido viu Gregório de Matos como uma “manifestação literária” e Alfredo Bosi, como um artista ressentido e pessimista, até que os anos 1960 o tivessem proclamado “anarco-tropicalista”. Nenhum deles talvez tivesse entendido Gregório de Matos como um fingidor.

Consta que durante uma aula de graduação na USP, naqueles anos 1980 e 1990 em que ainda eram obrigatórias aos estudantes de Português as disciplinas sobre a produção colonial (enquanto hoje, lamenta Hansen, a literatura brasileira ali tenha se tornado “um Hegel cubista, ensinada a partir do modernismo, para depois recuar ao romantismo de José de Alencar e avançar até Machado de Assis, que nega Alencar”), o autor de A sátira e o engenho ironizou a ideia da “manifestação literária” de Candido ao indagar a seus alunos: “Manifestação espírita?” O grande crítico brasileiro objeto dessa restrição, contudo, havia designado “clássico” seu livro. Até oferecera um jantar ao jovem pesquisador, que, incapaz de resistir à ironia, comentaria com a mulher, uma educadora, a bênção recebida: “Olha, Marta, é o alpendre e o canavial, o ‘coroné’ está me chamando debaixo do guarda-chuva.”

Para o especialista que tantas vezes parece repetir a verve do pesquisado, se o poeta seguiu leis escritas rígidas, não teria havido então rebeldia pessoal, pessimismo, ressentimento, nem maledicência ou tara sexual a anteceder seus versos. Sua sátira seguiu um cânone clássico, nascido de Horácio. Foi  praticada em dois níveis, o primeiro levemente irônico, destinado a combater o vício fraco, dos tagarelas ou beberrões. Gregório de Matos ficaria famoso ao aplicar o segundo nível, contra os praticantes de vícios nocivos, por exemplo, os ladrões de dinheiro público. A eles destinava o sarcasmo de arrancar a pele, no mínimo o insulto, como nestes versos que talvez devessem credenciá-lo a Boca da Verdade, não a Boca do Inferno, como ficou conhecido: “Neste mundo é mais rico quem mais rapa./ Quem dinheiro tiver pode ser papa.”

Poemas atribuídos, o primeiro volume

Em 2011, quando a Literatura Brasileira da USP ofereceu a Hansen a verba para estabelecer o códice Asensio-Cunha, ele acreditou ser imprescindível à tarefa o professor-titular Marcello Moreira, seu ex-orientando de 47 anos, professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e responsável por detalhar os critérios de manuscritura dos poemas. Tudo começa por uma desconfiança, e a de Moreira um dia girou em torno da crença do filólogo Antonio Houaiss, para quem seria preciso retirar da poesia do baiano os pastiches e as paródias, de modo a obter seu “resíduo irredutível”. Contudo, descobriu Moreira, o que Houaiss enxergava como dispensável à obra lhe era essencial. Os trópicos podem ser tristes, prenunciou Gregório de Matos, o autor deste poema: “Quando da Barra vi coqueiros e bananeiras, disse comigo: Brasil.”

Ser Candido ou não ser

A crítica deveria ser uma independência, estendida até mesmo a quem a observa… Mas certas autonomias, no país do grande intelectual, desenham-se impossíveis.

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As palavras, as coisas e um ilustre inventor

Nunca entrevistei Antonio Candido. Nem busquei entrevistá-lo. Gigante demais, filé para os altamente hierárquicos do jornalismo, disputado entre todos os repórteres e editores culturais… Achei por bem esquecê-lo, sem contar que sempre me senti melhor entre os perdedores. E Candido, morto dia 12 de maio, aos 98 anos, era, como sabemos, um campeão extremo.

 

Além disso, eu já havia tido sorte demais com outros personagens. Por exemplo (e espero conseguir recuperar alguma coisa dessa vida louca neste blog), fui a última a entrevistar, em maio de 1999, o crítico teatral, jornalista e historiador Decio de Almeida Prado, em Baú de frases nítidas, o que já me parecera enorme. Companheiro de Candido na revista Clima, era tão erudito como ele, de grande conversa, um humor mal-humorado, sensacional. Nós nos abraçamos ao final da entrevista. Suspeito que ficaríamos amigos, se tempo tivesse havido. Uma amizade respeitosa como aquela que senti haver alcançado, anos depois, com o tradutor e crítico Boris Schnaiderman. Homens de grande simplicidade, a exibir generosamente um conhecimento ainda maior.

 

Certa feita, contudo, um chefe me exigiu que tentasse entrevistar Candido finalmente. Minha vida ficara mais dura com dois filhos para sustentar e eu não poderia simplesmente me recusar ao impossível… Fiz então o papelão de pedir a uma das filhas do professor que me recebesse. Ana Luísa foi muito gentil, tinha gostado de algo que escrevi sobre o pai, mas… Não, ele não iria falar.

 

Contudo, preciso dizer que, nos anos 1990, eu havia cometido uma ingenuidade. A mando de meu editor em uma revista semanal, lera uma coletânea menor, de quase-crônicas, em que Candido perfilava de Chaplin (a quem chamava Carlitos, equiparando-o a todo o cinema de sua infância) a Azis Simão. E, ao escrever a resenha, decidi mencionar o que não parecia cair bem em um dos textos, aquela hagiografia do sociólogo Simão que não contextualizava seu caminho pelas esquerdas brasileiras, seus antagonismos. Lamentei pela melancolia estalinista que via desenhada no perfil.

 

Eu não sabia, em meus vinte anos, que a gente não está autorizada a fazer reparos ou levantar incômodo em qualquer mínimo aspecto do trabalho de figuras como Candido. Não pode colocar uma objeção que seja no Chico Buarque escritor, no Mick Jagger do disco solo ou, atualmente, no Kleber Mendonça de Aquarius, sob pena da neve eterna, das portas fechadas, do rancor dos discípulos a navegar neste pequeno mundo cultural. A gente até pode, claro. Mas não gente como eu, que muda de ideia, que muito caminha e mais preza o caminho que a pedra…

 

Muitos anos depois de minha observação na resenha (anos estes que me ensinaram a declinar de polêmicas em nome da publicação), um de seus fiéis seguidores, que entrevistei para outra revista, ainda se lembrou de me cobrar pelas palavras proferidas quase dez anos antes. Tenho cá para mim, contudo, que o próprio Candido não fizera caso de palavras tão meninas… Mas meu entrevistado as distorcia, como se eu tivesse chamado o próprio Candido de estalinista. Vejam bem: uma única frase em um texto elogioso de uma página, desvirtuada em fel acadêmico por uma década…

 

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Hansen narra sua visita a Candido: o coroné tá me chamando, debaixo do guarda-chuva…

Há três anos, fui entrevistar um antigo professor e grande pensador da literatura, João Adolfo Hansen, e ele me fez ganhar o dia. Contou que com Candido era assim mesmo. Que seus discípulos eram caricaturais, ansiosos em se prender a sua aura e galgar posições à imensa sombra. Em sua temporada uspiana, os colegas imitavam até mesmo o estilo dos móveis eméritos do professor. Todas as salas dos mestres da Letras repetiam seu toque alemão-bauhaus…”Eles usam cuecas com monogramas repetindo o AC de Antonio Candido. Quando fui à casa de Candido, entendi. Meus colegas copiavam a casa do professor.” Além disso, nenhum trabalho ou concurso poderia excluir a opinião de Candido sobre ela, mesmo que contradissesse a própria pesquisa em questão.

 

Candido deixara de incluir Gregório de Mattos em sua Formação da Literatura Brasileira, de 1959, e Haroldo de Campos fizera um estudo em torno disso, O Sequestro do Barroco na Formação da Literatura Brasileira: O Caso Gregório de Mattos, já que o valorizava como uma manifestação literária nacional antecipadora, carnavalizante, uma ideia assimilada pelos tropicalistas. Em A Sátira e o Engenho, de 1989, contudo, João Adolfo Hansen contestava o sentido “carnavalizante” da sátira de Gregório, mostrando o fundo conservador de suas tópicas.

 

Quando Candido convidou Hansen a jantar em sua casa, queria “ser justo” e parabenizá-lo pelo estudo. “Fui lá com a Marta, minha esposa”, conta Hansen. “E o Candido se revelou muito amável. Eu disse pra Marta, olha, é o alpendre e o canavial, o coroné tá me chamando, debaixo do guarda-chuva… Ele contou ter lido o livro, achado muito bom, um clássico. Disse-lhe que tinha sido generoso, e ele: ‘Generoso não, procuro ser justo.’ Pessoas que não me olhavam na cara passaram a falar do meu trabalho, elogiar, e eu disse: ‘Marta, fui autorizado pelo professor Candido.’ Mas agora, com a publicação dos volumes do códice Asensio-Cunha para a obra de Gregório, o silêncio voltou a ser estrondoso.”

 

Em seu clássico A Sátira e o Engenho, Hansen mostrava que os poemas de Gregório eram atribuições apócrifas, de modo que, segundo o professor Alcir Pécora, o seu nome deveria ser entendido mais como uma “etiqueta” de autoridade associada ao gênero da sátira do que como uma autoria original e única. Se fosse manifestação literária, disse-me Hansen, que fosse aquela filiada ao bloco greco-romano, não exatamente brasileiro. “Não é pouca coisa. Gregório é contemporâneo de Juvenal, Horácio, Virgílio, Ovídio, Homero, Calímaco, mas também contemporâneo de Petrarca, Camões, Gongora, altíssima literatura. Mas nem é literatura, porque eles não pensam em literatura naquele século. Uma grande ficção, uma grande poesia.”

O próprio Antonio Candido, diante das querelas entre seus seguidores e os raros divergentes, deve ter sentido a necessidade de aquietar-se. O mundo acadêmico é um pequeno toco no mundo. Lembro-me que fui assistir à sessão em que Candido, ao completar 90 anos, recebia o troféu Juca Pato na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Como sempre, falava com simplicidade ampliadora. E jogava humor sobre os doutos presentes do direito, curso que ele nem mesmo conseguira completar. Sua escrita direta, disse, fora favorecida pelo jornalismo. E a sessão tornou-se, assim, um desagravo ao jornalismo como responsável por desenhar as boas e claras escritas críticas e por formar leitores. (Não estou brincando: há quem ainda lute por entender, no jornalista, um escritor.)

 

Em minha vida de estudante da Letras-USP, além de ter sido aluna do sábio e irreverente Hansen, até hoje a brandir sua verve contra os scholars dos monogramas, frequentei as aulas de um grande discípulo do Candido, o João Luiz Lafetá, morto precocemente, aos 50 anos, em 1996. Na sua tradição, direto, a escrita simples, Lafetá compreendia um grande contexto para a literatura, injetava-lhe história. No final de um semestre da graduação, ganhei nota 10 por um trabalho de teoria literária entregue a ele. E sorvi sua observação final: “Seu texto é muito bom e certeiro, só temo que seja impressionista”. Ou algo assim. Como se me dissesse: você acertou agora, porque teve uma boa impressão sobre um fato literário, mas e se a impressão for ruim depois? Você precisará de método…

 

Nem fui discutir com Lafetá. Jamais poderia contestá-lo. Não teria argumentos. O 10 recebido foi um sonho mantido assim. Interpretei suas palavras a meu modo. Preferi pensar que o impressionismo contaria a meu favor, sem saber que nada nesta vida conta.

 

 

 

 

(*Fotos Wikipedia e Toni Pires, a última publicada em O poeta é um fingidor, reportagem de minha autoria publicada em 12 de novembro de 2014)