Águia sem asas

Do nada, no fim da tarde, deparo com Augusto Nunes no supermercado do centro.

Do meu centro.

O homem é uma assombração puída. Seus maxilares estão presos. O olhar sem brilho (pode ser catarata) permanece fixo adiante, em uma prateleira ou refrigerador que não se adivinha, ocupado em farejar um rato, quem sabe.

A águia esfomeada sem asas não cumprimenta ninguém quando entra no supermercado do bairro, nem ninguém nota sua presença.

Só eu pareço sentir um arrepio frio enquanto ela passa por mim.

Terei exagerado?

Chamá-la de assombração é insultar os fantasmas.

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