manda um abraço pro juarez!

vocês bem poderiam estar comigo da próxima vez que o suplicy aparecesse em manifestação.

e me ajudar…

não tenho coragem de pedir selfie com ele. até porque não sei fazer essas coisas. preciso de fotógrafo que além de tudo peça pra ele uma foto comigo. se bem que já é um ritual na vida do cara: posar com todos, falar ao microfone e cantar.

desta vez não cantou porque tinha “responsabilidade”, como disse, de ir ao velório do companheiro juarez soares. falou primeiro que todo mundo, pegou um papel pra não errar o nome dos presos, disse que pedia a sensibilidade de doria e bolsonaro para a injustiça das prisões (o suplicy de sempre), garantiu que todos trabalhavam pra resolver isso… e terminou com um lula livre, aplaudido com ênfase e carinho.

foi então que o organizador das falas pegou o microfone de sua mão e achou de dizer uma despedida empolgada, enquanto o suplicy deixava o recinto:

– manda um abraço pro juarez soares!

quase ninguém percebeu. nem ele, que falou, nem quem ouviu. o suplicy quis consertar lentamente, como de costume, mas só deu um riso compreensivo no fim. todo mundo muito sério na manifestação, mais homens que mulheres, polícia e remoção circundando a praça.

na real, eu não fui muito melhor que o rapaz atarantado ao microfone. mas pelo menos hoje, como todo mundo, homem e mulher na praça do patriarca (e o suplicy é um patriarca também), dei-lhe um beijo no rosto. só não sabia o que dizer depois. soltei o que me ocorreu:

– muito prazer!

e saí de perto, porque não nasci pra este mundo, entendeu?

Nosso Marlon Brando pop viverá para sempre

Aqui, uma montagem com cenas de um seriado de televisão holandês de 1969, “Floris”, dirigido pelo inseparável Paul Verhoeven, em que Rutger Hauer, morto no último dia 19, aos 75 anos, interpreta um cavalheiro forçado ao exílio, embrenhado na floresta junto ao amigo aborígine.

Juntos os dois personagens tentam reaver a certidão de nascimento do herói, roubada por um nobre mau. Durante a procura, um fidalgo os ajuda, oferecendo-lhes abrigo em seu castelo.

O personagem ardiloso de Hauer em “Feitiço de Áquila”, e talvez também aquele em “Blade Runner”, deve ter nascido disto, desta sua compleição de conquistador, da máscara de príncipe-mendigo que carregava no rosto, do seu saber cavalgar, da improvisação de quem parecia conhecer de cor a vida nos baixos domínios.

Inteligência, independência, solidão, beleza.

Nosso Marlon Brando pop viverá para sempre.

e se mudar a rádio?

Começo o dia ainda animada pelo show de ontem. E entro no uber cheia de esperança. O jovem motorista, negro, usa boné e tem um carro bonito, não me pergunte qual, bem limpo. Sorri o tempo todo. Comenta o clima.

– Por isso a gente fica doente, né? Que sol é esse depois do frio de manhã cedo?

– Tem razão – digo. – E aconselho uma coisa: vacine-se contra a gripe. Peguei H1N1 e quase fui… Gripe e antigripal acabaram comigo! Ainda me sinto mal, sabia? Não vale a pena.

Me olha, diz baixo:

– Olha, moça, eu não acredito muito nessa indústria de vacinas…

(Rosane, por que não te maria calas?)

– Melhor você acreditar nessa indústria que naquela farmacêutica pra curar seu sarampo – brinco, na tentativa de lhe devolver toda a boa educação que teve comigo. – E vacina ainda é grátis no posto, não mata você…

– Acho que a senhora vai gostar deste programa.

Aumenta o rádio. Já o ouvia quando entrei. Eu penso: é agora, Orora. O Pânico da Jovem Pan comenta o aquecimento global.

O jovem professor de nome Ricardo Felicio, climatologista “da usp”, parece um jogador olímpico de pingue-pongue contra os radialistas do achincalhe da cognição. A cada pergunta banal, o entrevistado faz um rebate surreal, rápido, de tontear.

O Felício diz que:

1. Aquecimento global é cem por cento geopolítica. Não existe. Apenas passamos a monitorar a temperatura nos últimos anos. Nunca se viu tanto gelo como agora.

2. É só desenvolver uma bactéria que coma o plástico jogado ao oceano.

3. As abelhas, se morrerem, serão substituídas por outras espécies. Nunca se produziu tanto mel como no ano passado.

4. A engenharia florestal brasileira é a melhor do mundo. “Madeira dá muito dinheiro.”

Olho pro motorista com pena. O programa acompanha sua tentativa de entender a confusão do mundo. Uma rádio que é uma concessão pública, meu deus. Um entrevistado que nem sei classificar, um mitômano, um canalha.

Estamos chegando e eu, aterrada daquela felicidade airosa de minutos atrás, só lhe digo:

– Me promete que não vai deixar de se vacinar?

– Sim – sorri. – Prometo.

– E dou uma dica de estação de rádio melhor que essa. Já ouviu a Brasil Atual?

Solidão de histórias

A gente costuma pensar que Edward Hopper foi único em seu estilo regionalista, narrativo, imerso na naturalidade fotográfica. Mas nem tanto. Ele, que seguiu um espírito de época, também teve seguidores. E suas próprias primeiras pinturas e desenhos foram diferentes do trabalho final, assim como aconteceria com tantos, com Lucian Freud, um surrealista no início…

Sally Storch, nascida em 1952 e atualmente residente em Pasadena, nos EUA, admirava Hopper e Thomas Hart Benton, como se pode ver por estas imagens.

Porém, mais importante que eles em sua formação foi a convivência com as duas tias pintoras. Uma delas, tia-avó, privou da proximidade com Matisse na Paris dos anos 1920.

Sally conta histórias mais cálidas, interessadas, empáticas. A solidão não a movimenta ao isolamento distópico, como talvez tivesse ocorrido a Hopper. E ela parece estar representada nas próprias pinturas, reflexiva.

And I say LOVE!

A engraçada do dia fui eu mesma, ali ao lado da Petra Costa, na ocupação, me achando bem colocada enquanto metia o flash sem querer no belo ângulo de seu rosto que encontrei…

Não deu certo a foto, claro, mas o que é uma fotografia, no fim? É o que fui ao fazê-la, não? É a memória que acumulei… Jamais me esquecerei da foto de Petra que não fiz.

E ademais achei curioso que a diretora estivesse sozinha, meio deslocada na festa, na fila como qualquer um pra pedir uma foto com o Suplicy, depois do sucesso de seu filme sensível…

The struggle is real, babes.

And I say LOVE!

Delicados insurrectos

Não acho o Almodóvar o melhor diretor do mundo, mas gosto de muita coisa que ele fez e faz.

Tenho curiosidade de um dia vê-lo encenar num palco.

Acho que mandaria muito bem com os atores, os cenários, a tradição dialogada do rádio…

E ele está sempre à vontade com a cor para empreender um propósito subjetivo.

É bem mais teatral do que cinematográfico porque depende da palavra proferida pelo ator, embora saiba que, ao transmitir a essência de suas situações, ela não aparecerá…

E às vezes ele cala seus personagens, que têm de falar por outros meios!

Ele os obriga a dizer as coisas numa segunda camada, pelo corpo, como este Banderas que deve ter saído diretamente do set para um massoterapeuta…

Sua luta ambígua entre falar e calar!

É tudo tão bonito, embora me falte…

E aquilo que sinto faltar em Almodóvar é o cinema mesmo, o movimento, a profundidade, a imagem de que nunca vou esquecer.

Antonioni, Buster Keaton, Murnau, Fellini, Buñuel, todos esses sabiam lidar com o subjacente, o inconsciente, o não dito. E partiam da imagem com tanta segurança que as poucas palavras no ar saltavam aos olhos da alma.

Quanta saudade deles…

Ou de Douglas Sirk, que impunha a magnitude da canção triste nos melodramas movimentados por carros atirados a estradas, buracos, abismos!

Contudo, gosto do Almodóvar, sim, da persona dele…

Porque sei que procura compensar uma ausência de movimento com a realização do drama musical, este do qual muitos diretores parecem esquecidos, ocupados apenas com a plasticidade frouxa dos efeitos visuais!

Drama e comédia se misturam (como na vida) em seus filmes de estranho humor, como este Dor e Glória.

Um escritor…

E seu novo filme é mais uma autobiografia ficcional…

Irônica e às vezes pesada, porque ele se ocupa de desfazer o mito materno, vejam só.

Com carinho, mas desfazer!

Ele expõe a dor da desagregação por ser um homossexual e precisar calar sua condição.

Ele fala sobre a luz!

A iluminação, a representar a imaginação…

E as trevas, dentro de nós (do apartamento de seu protagonista), a miná-la em nossos corpos criativos, que são as belezas acesas do Nelson Jacobina…

É tão triste este Almodóvar, porque o adeus é iminente, como no filme Cabaré, enquanto, ao mesmo tempo, o doente recupera a magia da infância, da catacumba cristã iluminada pela leitura!

As palavras, como um desenho.

E a insolação de que é vítima quando imagina com fervor, com desejo…

Almodóvar pra representar a gente!

Nós, os delicados insurrectos.

ESCRITA AUTOMÁTICA

Meu caçula me vê antes de sair de casa e se espanta.

– Você está Rihanna!

Penso: Rihanna da riqueza ou da encrenca? Da riqueza é sacanagem…

Mas ele nunca me sacaneia, oras!

E então esclarece que se refere a minha jaqueta, aquela que comprei numa liquidação por 50 reais…

Muito parecida com a da Rihanna na Fenty, ele diz.

E me mostra a foto no celular.

Caramba, é mesmo…

(Mas eu tenho a jaqueta há mais tempo. Fashion is everybody, style is only me!)

Dou-lhe um beijo.

Saio do centro, onde moro, e vou à Paulista cometer, com a amiga querida, o crime de ver um filme à tarde.

Desço toda feliz na estação Paulista, que fica na Consolação.

Rihannão!

E, muito rapidamente, um, dois, três sem-teto me abordam pra pedir o que comer…

E isto é bem mais do que vejo na República, no centro, onde ninguém hoje se aproxima enquanto eu caminho!

A Paulista e a Augusta me deixam bem mais triste nestes dias.

Não adianta informar que estou desempregada, que o mundo nem liga pra mim, que eu estudei, ralei, dei duro na vida ingrata, que não tenho aposentadoria e que preciso correr atrás dos trocados nascidos das ofertas de frilas feitas por amigos, das traduções, textos, palestrinhas, enquanto escrevo um livro…

Eles não acreditam em nada do que eu disser.

Isto é o que dá ser Rihanna sem poder!

“Não quero dinheiro”, repetem. “Quero comer.”

Eu sei, digo.

(Na real, o que eu posso saber?

Um dia talvez eu também saiba, embora espere que não.)

“Falta 1,50 pra esfiha!”, eles dizem, um a um.

Antes, os sem-teto noias me pediam dez reais na lata para uma “comida” (geralmente chocolate e coca-cola).

Agora eles se cotizam pela avenida, dividindo as diárias entre si.

É uma tática boa.

E basta dar com os olhos em mim para saber o que podem conseguir.

Sou do tipo que pipoca moedas, sem coragem de dizer não o tempo todo. E acabo gastando mais do que aqueles dez reais ousadamente solicitados no passado (embora hoje em dia eu não devesse gastar nem mesmo um.)

Então, bem…

Hoje esse noia grande, rosto redondo e forte, me para na altura do IMS. Elogia a elegância.

Rihanna, né? – respondo, rindo de mim.

E ele: faz um dia de Olavo Bilac, o autor do hino, a senhora não acha?

Eu:…

Ele: Um parnasiano!

Eu:…

Ele: Ou simbolista?

Eu, entregando a toalha: Um parnasiano e tanto!

Ele: Mas não era época simbolista?

E eu: Conviviam!

E ele: Acho o hino a coisa mais linda!

E eu: Eu não!

E ele: A senhora me lembra minha professora de literatura.

E eu: Você gosta de poesia?

E ele: Ninguém mais faz soneto, né? Gosto de soneto! Drummond que chama?

Eu: O Vinicius fazia soneto. O Bandeira.

Ele: Pra mim a maior obra literária do Brasil é a carta do Caminha.

Eu: Tem certeza? Não ligo pra escriba contratado.

Ele: Ninguém sabe que existiu Caminha!

Eu: Mas você sabe! E Anchieta, gosta também?

Ele: O Anchieta escrevia?

Eu: Pois é! Veja, o Drummond não era contratado pra escrever. Era funcionário público. Sempre vou preferir.

Ele, olhando pro alto: Soneto que chama!

Eu: Por que você não virou professor?

Ele: Porque estudei na Fatec. Sou tecnólogo.

Eu: Desse aula disso, então! Por que não deu?

Ele: Porque veio a droga, e quando ela vem…

Eu: Você está sempre por aqui? Te trago um livro.

Ele: Oba!

Eu: Qual o seu nome?

Ele: José!

Eu: Prazer, José.

Ele: Na verdade, sou Arlequina…

Eu: Arlequina, que lindo! Você manja Arlequim? O palhaço da commedia dell’arte?

Ele: Um bobo da corte, né?

Eu: Não da corte, da rua!

Ele (ansioso, mudando o trajeto da conversa): O maior escritor brasileiro é o Machado de Assis?

Eu: É quem a gente achar. O que você me diz de Guimarães Rosa?

Ele: Não sei quem é.

Eu: Talvez você gostasse de conhecer o amor de um jagunço…

Ele: (sorriso)

Eu: Arlequina, vou voltar.

Minha Marta, minha Marley

Sou santista e me lembro com alegria de ter visto a Marta jogar pelo meu time em 2009, no Pacaembu, a ingressos gratuitos. Ela trouxe a Libertadores da América pra gente na maior classe, em jogos às vezes com a diferença de nove gols. A festa final emocionou toda a minha família, meus filhos meninos, pra quem aquele futebol era magicamente natural. A gente queria vê-las carregar a taça, gritava por elas, o estádio fazia sentido como o templo que o originou.

O futebol feminino vem carregado da garra impossível, da vontade das jogadoras, uma a uma, de ultrapassar uma condição ruim. É o futebol como ele deve ter sido naquele início brasileiro, quando os jogadores entravam campo antes do trabalho ou depois de comer pão na chapa com café, que constituía seu salário. A era do ouro, da graça e do suor.

Marta, minha querida, minha Marley, eu tenho sido bem triste com o futebol. Já amei todos eles e agora não posso mais.

Mal sei como anda meu Pacaembu, ou minha Vila, depois de uma década…

Mas entendo o que você disse hoje e sigo na cabeça e na emoção por onde você for. No que depender de mim, choro agora pra sorrir depois com suas meninas, essas que, bem sei, um dia você irá conduzir.

Um passado e um presente só de glórias! Você vive no meu coração.

se esmere, bozó

Bozó realmente se sente excitado com a atuação de conje, um ser bem mais político que ele, mas igualmente mau e analfabeto, como lhe convém.

está se vendo, ali no pacote, como a última bolacha. já disse que quem demarca terra indígena é ele, já disse que quem decide sobre armas é ele, já disse que quer dois pinos em lugar de três, que quer lula na cadeia até apodrecer.

acho que ele quer coisa demais. acho que dom pedro II quebrou a cara quando exigiu a cabeça de solano lopez, mesmo advertido por caxias. acho que a justiça, por sua duração no tempo (e não por determinados homens em um curto período específico), tarda mas não falta pra um bozó como esse.

CAN I GET AN AMEN UP IN HERE?!?

Na minha extensa vida pública praticamente extinta, fui sempre a louca pra melindrar alguém cujo apoio é importante.

Mas eu não tinha modos nem sabedoria de dublê de Beyoncé.

Por isso, claro, deu tudo errado na minha trajetória queer de subúrbio.

Hoje percorrendo o brechó do intercept me dei conta de que fracassei logo na categoria extravaganza do meu runway!

Ru Moro, desapontei você…

Que inveja dessas procuradoras da season 10 que ficam se exibindo no work room antes de desfilar o look pra Mama na apoteose da Globo!

Elas sim estão sempre garantidas nas gigs!

“Gostou do brinco do FHC que eu decidi combinar com esse vestido vermelho do LULA?”, pergunta a queen pra Mãe de Todas as Procuradoras, e ainda implora:

“Tô equilibrada na parcialidade???”

Mas a Ru Moro responde na lata, quase irritada porém sincera…

“VOCÊ DIZ ESSE PARZINHO DE 1996?!?”

Ela está certa! Mais que prescrito! Tão season 2 da Lava Race!! Esperavam mais de você!

Gente sortuda essa que tem Ru Moro pra julgar de verdade os acessórios de nossa vulnerabilidade! Ela é dura mas sabe faturar!

E como vai ser agora?

A Gabriela Hardt Visage que puseram no lugar dela vai lá dar conta de todo esse Snatch Game?!?

A House da Moro periga cair!!!

EVERYBOFE say love, pelo amor de deus!