Começar de algum modo

Estava aqui a percorrer a lista dos comensais da morte e alguns nomes parceiros do genocida apareceram, como o dono da Riachuelo ou do Bradesco ou o CEO (muita pompa pra grande porcaria) do SBT. Mas o diretor do Ceagesp, pqp? Como boicotar o Ceagesp?

Sendo otimista na ação, a gente enxerga um modo. Fincar os pés nos orgânicos dos sem-terra por meio de suas lojas, ou nas lojas que trabalham diretamente com fornecedores confiáveis, tipo o Instituto Feira Livre, aqui no centro de São Paulo. Ou plantar em casa.

Sei que é difícil, haja mão pra coisa, mas percebi aqui na nossa minihorta de apartamento que os alecrins, sálvias, manjericão, cominho, hortelã e até moranguinhos são bem possíveis de crescer e render, tão melhores quando frescos.

E não tem outro jeito, sabe? É preciso dar uma força pra sustentabilidade e até – sendo claros – para a sobrevivência humana neste pobre planeta. Plantando alguma coisa em casa já diminuímos a mania de transportar alimentos por muitos quilômetros – isto que acresce à produção os gastos absurdos com o transporte que, além do mais, usa combustível fóssil.

É só um começo, mas temos mesmo de começar, certo?

A noite no invisível

Às vezes me sinto uma câmera termográfica que fotografa o mundo escuro.

É uma sensação poderosa e reveladora.

Ninguém precisa concordar comigo, mas se digo que vi alguma coisa no invisível, pode crer, vi sim.

Acontece com vocês?

Não raro, quando assisto à maravilhosa série “Night on Earth”, na netflix (essa involuntária companheira), transponho suas revelações para minha vida, tipo “eu sei que aquele orangotango come à noite, por que nunca ninguém viu?” (metaforicamente, né gente).

Assisti ao último capítulo da série hoje, o making of em que o trabalho dos câmeras é revelado aos nativos e zoólogos.

A pesquisadora dos guepardos não conseguia provar ao mundo científico a perambulação noturna dos animais, embora tivesse fortes indícios disso, ao constatar suas coleiras desgastadas; as filmagens mostraram os guepardos bastante ativos à noite e assim validaram o trabalho de dez anos da cientista.

O orangotango nunca fora percebido comendo sob a lua, mas a fotógrafa o captou sem querer do alto da árvore de 30 metros, quando lá se encarapitara sozinha, de madrugada. Chorei junto com os pesquisadores nativos que se emocionaram ao constatar a vida noturna de um bicho querido.

Enfim, o importante é que vocês aproveitem a chance de assistir a essa preciosidade durante seu relativo confinamento.

Mesmo.

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