Vamos proteger nossos manifestantes

eu sei que é adorável ir à paulista mandar o bolsonaro se foder.

uma festa democrática de cores, força e luz.

e estou louca pra frequentá-la eu também, embora ainda receie por minha saúde até que, em setembro, possa tomar a segunda dose da astrazeneca, essa invenção maravilhosamente febril que me ajuda a manter as esperanças de existência.

mas a alegria toda que há em nós paulistanos por essas manifestações não deixa de conter uma infelicidade, que atende pelo nome de polícia militar.

doria, uma barbie dos infernos que sem receio, assim como alckmin, já jogou comboios israelenses contra jovens em protestos passados, tem feito de tudo para se abrir às atuais demonstrações políticas coletivas vespertinas aos sábados, por motivo bastante conhecido de rixa de poder.

mas a pm, que ele não controla e quer bolsonaro, mostra sua face quando a manifestação dobra a esquina da consolação e a maioria dos manifestantes já partiu.

ali é que esses sádicos corruptos encurralam pretos, jovens antifas e fotojornalistas, para que paguem o preço da ousadia de desejar o fim de seus privilégios injustificáveis sob a liderança miliciana.

eu sugiro então que quem vá às próximas manifestações em São Paulo não abandone, se possível, esses manifestantes e profissionais.

e siga o cortejo do protesto até o encerramento, este que se dá na praça Roosevelt, final da consolação.

sob o testemunho e a cobrança de todos, a pm encontrará então mais dificuldade de ser o que é, uma corporação a serviço sanguinário do poder.

Deidade do infinito

Grito pela janela com muito fervor.
E não só por ele.
Contra ele.
Mas também por mim.
Contra os outros em mim.
Aqueles outros que ardem em meu inferno de todos os dias, e que permanecem quietos aqui dentro, esperando explodir.
Contra os bolsonaros dos meus costumes, da minha cidade, do seu comércio, das vilas de apego consumista, dos becos de paixões de papel.
Gritei “fora lixo” e ela me respondeu “vai arrumar a casa”.
Minha casa nunca será arrumada, lady.
Não, pelo menos, por seu desígnio de trevas, não por seu color touch blonde, não por seu curtume.
Minha ambição é a deidade do infinito.
Minha ambição é meu país.
Minha ambição.
Eu.

Vermeeeee

Estava demorando pra acontecer.


Tô aqui sossegada no meu panelaço diário das 20 horas quando aparece o vizinho.

– Mitooo!


Respondo:

– Bolsominion Lixooo!
(Eu grito bem.)


Panelas se insurgem contra ele e logo chega a resposta a mim:

– Putaaa!


Por que toda mulher é puta ou vaca, neném?


Não tenho problema com as duas.
Quase grito Puta com Orgulhooo, mas não dá pra ser sutil numa hora dessas, lembra meu filho.


Vou no tradicional:

– Vermee!


Mais panelas por cima dele e a boca do infeliz interrompe a evacuação.