QI de abelha

Não me emociono se penso que Toller votou no Tolo. Ou deixou o Tolo ganhar. Ou se nada fez para que o Tolo perdesse, até ganhando causa de 200 mil contra Haddad e o PT pelo uso (que ideia mais boba do partido, gente) da canção do QI de Abelha na campanha.

Nana também votou em Bolsonaro. Toquinho também. Djavan também, talvez. Desejo a Nana e a Toquinho toda a felicidade. Djavan está em mim. Vou ouvi-lo sempre, forever and ever.

E Toller, meus amigos, bonita ou não, conservada ou não (todas nós cinquentonas podemos nos orgulhar de nós mesmas neste aspecto, certo?), nunca habitou meu panteão.

Mas se habitou o seu, não ligue pra nada disso. Essas pessoas escrevem e interpretam canções, não necessariamente veem a vida como nós.

O que vai ser?

Não importa qual a notícia apurada pelos grandes jornais, seja sobre o novo corpo celeste, sobre a privatização da água no Brasil ou sobre o covid no mercado central do México.

Se a notícia aparentar ser contrária ao que o gabinete do ódio terraplanista determine, estará inflada por comentários de descrédito à apuração da imprensa brasileira e em torno da necessidade de negar os fatos.

Com perdão a minha ignorância jurídica, onde está o Moraes que não determina a culpa dessa gente de uma vez?

Ela quer destruir tudo o que existe para nos humanizar. E, depois, como sabemos, destruir a todos nós.

Destruir. Matar.

Race is for horses

Li algo interessante proferido por Daniel Filho. Mas, como se trata desse infame, não repercuti.

Preciso citá-lo agora, contudo. Porque ele disse acreditar que Regina Duarte, sua ex-mulher, está cega de paixão por Bolsonaro. E que faz qualquer coisa pra manter o fogo aceso.

Infelizmente, creio que ele está certo.

Assim foi Leni Riefenstahl, caída por Hitler, enquanto Goebbels, o rejeitado, esperou por uma lasca da cineasta até o fim da vida, sem conseguir.

Regina Duarte é a dama da arte pra quem Bolsonaro faz tudo. Até de Brasília ele a dispensou.

Daquela reunião ministerial, sinistral, ela nem precisou participar!

Porque aquilo…

Aquilo foi um duelo.

Ou um rodeio.

Corrida de cavalos.

Homens e uma mulher medindo membros diante de seu Führer.

Weintraub logo dizendo que tem o maior.

Guedes, exibicionista experimentado nas surubas das SSA de Chicago, espirrando terror.

Salles, um sedutor sem sorte, apelando pra tudo, pro infralegal, pro imoral debaixo da mesa…

E o desespero de Danares, sem porra nenhuma a declarar?

Salò Republic dos Puxa-Sacos, amici miei!

Só queria ter conhecido o texto convocatório para a “reunião”.

Ou para a disputa.

Pra suruba.

Ou pra quê, não sei.

Deidade do infinito

Grito pela janela com muito fervor.
E não só por ele.
Contra ele.
Mas também por mim.
Contra os outros em mim.
Aqueles outros que ardem em meu inferno de todos os dias, e que permanecem quietos aqui dentro, esperando explodir.
Contra os bolsonaros dos meus costumes, da minha cidade, do seu comércio, das vilas de apego consumista, dos becos de paixões de papel.
Gritei “fora lixo” e ela me respondeu “vai arrumar a casa”.
Minha casa nunca será arrumada, lady.
Não, pelo menos, por seu desígnio de trevas, não por seu color touch blonde, não por seu curtume.
Minha ambição é a deidade do infinito.
Minha ambição é meu país.
Minha ambição.
Eu.

Operacionalizar meu ovo

Não sei por que de repente a minha irritação.

Melhor dizendo, não sei por que ela está maior do que a branda, cotidiana e costumeira irritação destes dias.

Me sentia tão bem hoje, até dancei meu Prince na sala…

Penso, penso e acho que o que me tirou do sério foi tanto ler sobre essa história de “presidente operacional”. Me perdoem o Kotscho e o Nassif, mas isto me cheira a ideia plantada, a fake. Não há previsão para “estado operacional” dentro da constituição, não existe nada disso a ser conjecturado ou realizado. Estão nos enrolando de novo.

Desde quando, a partir do início do mandato de Bozó, ele mandou em alguma coisa, coordenou algum projeto, tranquilizou a nação? Desde quando administrou o Brasil?

Até parece que querem nos fazer crer em uma “operacionalidade” recente, com o general, o posto ypiranga, o conje e o Mandetta anti-SUS à frente, a nos conduzir por um caminho sensato em meio à tempestade.

São só golpistas dentro do golpe que eles mesmos deram. Neste ponto, nem mesmo Bozó está tão errado assim.

Quem governa são os governadores. E não acho a ideia má. Andávamos necessitados de ser uma federação, não uma centralização de poder em um Planalto ensandecido.

F-se os operacionais.

Precisamos da reforma política.

eu rio sim

não sei usar revólveres nem fuzis.

e sou oprimida pelo estado de coisas.

como vou me defender?

se não puder usar o humor como arma, ou como correção para um estado de coisas, à moda do que ensinou aristóteles, do que raciocinou bergson ou do que escreveu pirandello, o que restará de mim?

vou rir, sim, enquanto posso.

vou desmontar risonhamente o cinismo deles, os que me oprimem.

não particularizo minha crítica em micheque, porque nem mesmo isto ela merece de mim.

mas talvez devesse.

desmontando Maria Antonieta (“comam brioches”) nos panfletos satíricos, os oprimidos franceses contribuíram para a revolução.

contudo, não espero revolução nenhuma por aqui.

nem mesmo uma correção.

meu riso é só liberador.

é meu alívio.

por que rio?

porque é sublime.

rio do caos deles.

um dos meus jeitos de enfrentar as coisas.

rio enquanto espero o impossível.

Barreto, Bishop e o comunismo de arregalar os olhos

Não percam o perfil do Felipe Fortuna no facebook, pois ele está a nos atualizar deliciosamente sobre as porcarias ditas e escritas pela Bishop sobre o Brasil.

Até parece brincadeira. É de desmontar qualquer afeto.

Agora entendo por que, numa ocasião, o Bruno Barreto me disse que seu filme sobre Elizabeth e Lota, “Flores Raras”, era o melhor que já tinha feito.

O Barreto é tão reaça que no meio de um jantar, quando eu lhe contei que minha tese girava em torno da commedia all’italiana, arregalou os olhos. “Mas você não fala sobre o Monicelli, né? Era um comunista, o Fellini me contou!”

E eu: “E daí, velho?!”

a imobilidade construída

pergunte o que são os três poderes ao brasileiro pobre, mesmo se formado no ensino médio.

ele saberá lhe dizer?

pergunte-lhe o nome dos três últimos presidentes do brasil.

inquira a ele o que é justiça, para além do justiçamento.

o que é um prefeito, um governador, um vereador.

é o déficit programado de conhecimento o que nos deixa imobilizados no estado atual.

e também a polícia, sim.

o estado policial.

o discurso que culpabiliza manifestações, inclusive aquelas que explodem vidraças de banco.

a imobilidade não é um acomodamento brasileiro, como nos querem fazer crer até mesmo aquelas irresponsáveis publicações tidas por esquerdistas.

a imobilidade foi cuidadosamente trabalhada, anos a fio.

sobramos alguns de nós mesmos.

e jovens valentes, buchas do canhão de sempre.

what’s done is done…

conje ensaiou o monólogo com conja? quem escreveu?

o cara se entrega, é comovente a estupidez!

ele não só justifica a agressão à mulher de uma maneira geral.

o cara se entrega mesmo, pessoalmente, como se conja fosse sua lady macbeth, a tal intimidante, impositiva, superior…

e ele, macbeth, o próprio, em névoa, parece prestes a assassinar o rei duncan porque a mulher o convenceu assim…

essa escócia ainda acaba em facada verdadeira, céus!

captei

demorei pra entender a estratégia de expulsão incessante nas fraldas adotada por bozó nos últimos tempos.

mas agora captei, rolando!

ele acha que os seus trinta por cento de eleitores, de tão estúpidos e portanto motivados sem descanso pela estupidez do líder, tendo até mesmo mantido a aprovação a ele nas últimas pesquisas, o levarão novamente à presidência nas próximas eleições.

é só agradar às bestas e fechar o apoio irrestrito delas, sempre bem alimentadas, que tá limpo!

a aposta faz um sentido terrível.

mas ainda acho que bozó confia demais.

por exemplo, pode aparecer um motivador mais estúpido do que ele, já pensou?

(toc toc toc)