O discreto charme da aristocracia do czar

“Malmkrog”, filme de quase quatro horas do romeno Cristi Puiu, presente na Mostra Internacional de Cinema, é um falar constante sobre deus, o diabo e o cristianismo na Rússia que logo irá perdê-los. Quem está em quarentena, gosta de filosofia, aprecia o sarcasmo e a atuação de bons atores enfrentará as longas horas com algum prazer.

Uma cena inicial de “Malmkrog” a evocar a geometria clássica da pintura

Este filme existe como se o russo Andrei Tarkovsky (1932-1986) tivesse se unido ao espanhol Luis Buñuel (1900-1983) para comporem juntos uma obra de cunho filosófico com o objetivo elevado de cutucar deus, o diabo e o cristianismo. Seria um longa-metragem de fato, com quase quatro horas de duração, como este “Malmkrog”, em que os personagens discutiriam a quase seriedade de sua decadência de classe, entre a sala de estar e a de jantar, servidos por homens e mulheres a quem jamais cumprimentariam ou agradeceriam. E isto, evidentemente, não poderia dar-se em um ambiente excessivamente sério, daí a presença jocosa de um surrealista anticlerical (fantasma de Buñuel) para esquentar o argumento, às vezes com uma briga de criança e sua babá no fundo da cena, ou quem sabe tiros. 

O diretor de “Malmkrog”, o romeno Cristi Puiu

“Malmkrog” realiza-se assim, como uma atualização inventiva a ecoar a obra dos dois grandes diretores. O cineasta romeno Cristi Puiu, de 53 anos, é também, e obviamente pelo que se vê neste longa, um encenador dos palcos que estudou pintura e cinema. Seu filme, baseado em roteiro próprio para o livro “Três conversações”, do filósofo místico russo Vladimir Solovyov (1853-1900), é constituído por estranhos movimentos. Muitos dirão que não há movimento algum por três horas e vinte minutos de filme, mas isto será um exagero, é evidente.

Há movimento na geometria rígida e clássica dos enquadramentos. Os atores, muito bons, mexem-se com mínimos volteios entre as portas, colunas, mesa, cadeiras, poltronas. Em tomadas exteriores à distância, na neve, tornam-se pontos a caminhar. Suas expressões faciais se prolongam ou se congelam, ao bel-prazer do que suas palavras dizem, com sarcasmo, mormente. Sorrisos, um levantar de longas taças, um vestido que gira dali para cá, e o filme se faz.

Estamos na Rússia czarista e o que esta nobreza discute em francês (um proprietário de terras e seus amigos influentes) é se faz sentido ter paz. E o que é a paz. E a quem serve um mundo pacificado. A deus? Quem ele é? Pode ser bom por natureza ou apenas um pregador da bondade, que não convence ninguém sobre o íntimo de suas intenções. A guerra deve ser glorificada ou a não-violência é divina? Por que não somos todos europeus? A Europa, este continente também reivindicado pelos russos, seria um objetivo de todos os seres. Seria deus. Ou a cultura. E todos discutem sobre se a ressurreição será a prova dos nove para a religião cristã.

É um filme que nada nos facilita, e em que as palavras são jogadas em tal velocidade que podemos perdê-las ocasionalmente e ainda assim estaremos diante do cerne. De um mundo que vai findar-se, mas que ainda será discutido hipnoticamente, para que todos se convençam de sua seriedade e eternidade. 

Alguém por favor apresente Cristi Puiu à reunião do ministério de Bolsonaro vazada por Moro. Nós também chegamos a imaginar que seria a última.

Fantasmas da liberdade: a gente filósofa do czar e seus serviçais de pé

Malmkrog

Dir. Cristi Puiu 

Romênia, Sérvia, Suíça, Suécia, Bósnia-Herzegovina, Macedônia do Norte

200 min

2020

https://mostraplay.mostra.org/film/malmkrog/

Um mergulho nos oráculos da noite com Willem Dafoe

Na Mostra Internacional de Cinema, “Sibéria”, do cineasta Abel Ferrara, procura reproduzir as estruturas imagéticas do sonho, em uma busca do protagonista pelo autoconhecimento

Dafoe pelo deserto, conduzido pelos huskies: a Sibéria é um estado interior

Deve ser o paraíso para o estadunidense Abel Ferrara contar com a parceria fílmica de seu conterrâneo Willem Dafoe, um ator “sem idade”, robusto, profundo, e que para o cineasta, por exemplo, interpretou até mesmo Pasolini (em 2014). Dafoe tem no rosto uma máscara poderosa, flexível. Sua energia se impregna nela, assim como sua jovialidade. A ironia e o olhar investigativo tampouco escapam ao bom espectador.

É um ator ideal para situações da cinematografia independente, que abraça sempre com muito simpatia, talvez porque, ao atuar nesta espécie de filme aberto, tem o dom de reescrevê-lo. E não haveria outro exceto ele, possivelmente, a enfrentar este “Sibéria” de Ferrara sem deixá-lo resvalar no ridículo. O filme é uma viagem incandescente pela vida deste homem que ele interpreta, retirado à região gelada (numa Sibéria que não é real, mas um estado interior), depois de sofrer traumas e desejar esquecê-los.

Sem Dafoe, talvez fosse difícil entender essa procura íntima sem resvalar no ridículo

O protagonista interpretado por Dafoe recomeça do lugar mais distante possível. Clint trabalha em um bar com reluzente balcão de madeira por onde passam nativos indígenas, russos, gente falando outras línguas, enquanto ele se comunica em inglês. As russas são duas, e com uma delas, por exemplo, em condição surreal, Clint faz amor.

Um momento onírico, para representar a surrealidade das expectativas

Ele passeia pelos desertos com seu trenó movido por huskies siberianos, e os animais comentam as sequências muito bem, já que seus olhares têm expectativas. Cada segmento do roteiro mistura o tempo real da narrativa com as abstrações oníricas, nas quais Clint, por exemplo, fala consigo mesmo por meio de sua imagem projetada na água, em irônica remissão ao Duende Verde que Dafoe interpretou em Homem-Aranha.

Abel Ferrara, diretor de “Sibéria”

É como se aqueles que lhe ensinam sobre a vida, nessas conversas evocadas por sonhos, sejam miniaturas do Dersu Uzala de Kurosawa. Os diálogos que expõem religiosidades e filosofias são muito bons. 

– Eu não quero ganhar.

– Por quê?

– Eu não quero perder.

Ou:

– Respeite a presença do sono. Fuja de quem não dorme. Seja alegre durante o dia. Não entregue ao estômago o pão da aflição que lhe perturbará à noite.

As paisagens são espetaculares, brancos e vermelhos se alternam, e não há ordem definida para que o protagonista encontre, por meio da memória viva e palpável, o filho, a mãe, a ex-mulher, a grávida e principalmente o pai, morto sem que Clint o tivesse compreendido.

Um espaço “Duende Verde” para que Clint possa dialogar consigo mesmo

Talvez por sua narrativa errática, este filme se veja condenado a um público reduzido. Mas é muito interessante que por meio dele Abel Ferrara tenha tentado reproduzir as estruturas do sonho e da memória, o que significa bastante coisa. Este foi o interesse que revolucionou o pensamento ocidental no século 19, tornou-se tema de exploração pelo filósofo-escritor Henri Bergson e fez Marcel Proust promover uma revolução literária. 

Trata-se de uma intenção poderosa e de uma investigação muito interessante, portanto, sobre o formato de nosso inconsciente e sobre nossa constante remissão ao sonho, este que nos coloca no caminho do autoconhecimento. Aqui e ali “Sibéria” perde em movimento e congela o interesse de quem o observa, mas não é absolutamente um filme ruim.  

Dersu Uzala às avessas, à procura da sabedoria em lugar de ensiná-la

Sibéria (Siberia)

Dir. Abel Ferrara

Itália, Alemanha, México

2020

92 min 

https://mostraplay.mostra.org/film/siberia/

O mal, o bem e o curandeiro

A ficção de Agnieska Holland “O Charlatão”, presente na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, movimenta a linguagem do filmão hollywoodiano para mostrar uma essência humana

O curandeiro Jan Mikolásek (Ivan Trojan) e seu assistente Frantisek Palko (Juraj Loj): um desafio às imposições stalinistas contra a homossexualidade

Houve esse tempo em que um filmão de Hollywood ainda era possível, e vencia Oscar. Era uma espécie de obra que, embora expusesse fatos terríveis, abria com competência narrativa e bela fotografia uma possibilidade psicológica de futuro e esperança.

Eis que a célebre tcheca de 72 anos Agnieska Holland exerce essa linguagem tradicional em O Charlatão, indicado por seu país para concorrer ao Oscar de melhor obra estrangeira. E talvez este seu filme seja a contrafacção de muitos outros, a exemplo de “O Jogo da Imitação” (2014), do norueguês Morten Tyldum, em que se descreve como o matemático Alan Turing, apesar de ter quebrado as criptografias nazistas, acabou na sarjeta por ser homossexual, gênero interditado na Grã-Bretanha de então.

Agnieska Holland: sem se curvar à consolação psicológica

O mínimo que se pode dizer é que Agnieska não se curva à consolação psicológica ao fim, bastante precisa sobre a existência de maldade ou bondade nos homens. O charlatão aqui é um curandeiro que trata de pacientes ao observar o estado de sua urina. O herbalista, traumatizado pela participação como soldado na guerra, sobrevive, contudo, em alto estilo: com o tempo, a cura em massa lhe rende dinheiro e ele adquire uma grande casa onde vive e atende a uma fila constante de pacientes.

Apaixonado por seu assistente, que mora com ele apesar de casado com uma mulher, compra-lhe um automóvel fabricado nos Estados Unidos, isto quando a população já sentia os efeitos da escassez sob uma controladora administração comunista. E, sim, a homossexualidade também lhe pesa como um crime.

Um banco dos réus para a liberdade

O estilo de Agnieska opera por flashbacks constantes a nos esclarecer sobre a figura rígida e enigmática do curandeiro. Ele escapa dos interrogatórios porque a todos atende, e salvou da morte até nazistas e comunistas poderosos, que por isso sempre o liberaram de constrangimentos. O filme é feito de planos médios, predominantemente escuro. Volta-se aos interiores onde a luz principal mimetiza a da janela, por onde o curandeiro analisa a urina. Nas situações românticas ou positivas dentro do filme, abre-se o sol, e o vento movimenta o trigal.

Sem a surpresa ao fim, não se entende este filme sobre um complô. Esta cineasta sorridente assimila procedimentos humorísticos que incluem surpresa e deslocamento. Seu filme não acaba com um estouro, como “Parente é Serpente”, de Mario Monicelli, mas com um pequeno gesto de carinho.

O curandeiro, seu assistente e a urina observada na fresta de luz

O Charlatão (Charlatan)

Dir. Agnieska Holland

República Tcheca, Irlanda, Eslováquia, Polônia

1h58min

2020

https://mostraplay.mostra.org/film/o-charlatao/

Silêncio, ação!

“Masters in Short”, presente na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, costura homenagens ao cinema silencioso

Em “A Visita”, de Jia Zhangke, uma dupla cômica usa máscaras para esconder palavras

Este filme de episódios, em sua maior parte, homenageia o silêncio dentro da arte. Uma homenagem para lá de justa, já que se tem privilegiado a palavra no cinema e deixado para segundo plano o movimento, seu sentido. Masters of Short seria essencialmente harmônico das origens cinematográficas não houvesse a seu término, em “Escondida”, as palavras sem fim do diretor Jafar Panahi. Mas estas operam numa constância tal que até nos fazem esquecê-las… Curioso perceber como, por meio delas, ao observar o movimento dentro de um tradicional automóvel iraniano, operamos na vibração mágica dos mudos.

Como todo filme de episódios, este é irregular e diverso. Começa Jia Zhangke com A Visita, uma graça rápida sobre a hesitação do toque na era pandêmica, relembrando a ação das duplas cômicas que aperfeiçoaram o cinema silencioso. Depois, com “O Adivinhador” e “Os Caçadores de Coelhos”, de Guy Maddin, Evan e Galen Johnson, nos vemos diante de mínimas superproduções que escancaram a paródia aos filmes monumentais do início soviético, em suas situações de comicidade e sonho.

“Uma Noite na Ópera”, de Sergei Loznitsa, parece ser o experimento mais radical e minimalista do filme. Em seu curta, o diretor edita os telejornais antigos que registraram, silenciosos, os momentos a anteceder um concerto de Maria Callas na Ópera Nacional de Paris, em 1958. Ao teatro acorrem, banhados em flash e sorrisos, as estrelas da época, Charles Chaplin, Brigitte Bardot, Grace Kelly e Rainier, Charles De Gaulle, a rainha Elizabeth e Philip… Loznitsa nos coloca dentro do teatro, mas, principalmente, de um tempo. E somos presenteados com a voz mixada de Callas ao fim.

Não bastasse esse sonho memorial, o belo encerramento de Panahi evocará a tragédia feminina e presente da mulher iraniana, escondida por trás de um pano, mas ainda viva.

Masters in Short

Vários

2020

1h11

https://mostraplay.mostra.org/film/masters-in-short/

Eleanor Marx, a saga e o rock

No longa em exibição na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, a filha mais nova do pensador alemão tem a trágica trajetória narrada pela cineasta italiana Susanna Nicchiarelli

Romola Garai interpreta Eleanor, filha caçula de Marx e socialista dedicada à obra do pai

Antes de sua morte em 1883, aos 65 anos, Karl Marx assistiu ao perecer de cinco de seus familiares mais íntimos, quatro filhos e a mulher Jenny. Foi um marido apaixonado e um pai tão bom para todos que, enquanto se concentrava para a escrita de “O 18 Brumário de Luís Bonaparte”, por vezes interrompeu o trabalho e se atrelou, como um cavalo, a uma fila de cadeiras de pés quebrados. Atrás dele, os filhos usavam sobre suas costas um chicote imaginário, e assim ele fazia a carruagem andar.

Patrick Kennedy vive Edward Aveling, militante marxista que significou a ruína para Eleanor

Eleanor, a Tussy, era a filha mais nova a puxar pelo pai. Estudiosa de sua obra, ela inicialmente, como a irmã Jennychen, desejou os palcos, mas o pai a proibiu de ser atriz. Suas filhas, preocupava-se Marx, deveriam casar-se bem para evitar a miséria e a exclusão social. Ainda assim, elas prosseguiram a pensar, traduzir e ler. Nascida na Inglaterra, Eleanora formulou parâmetros para a ação libertária feminina dentro da Liga Socialista. Mas, no meio disso, uniu-se ao eminente militante marxista britânico Edward Aveling, um mulherengo e perdulário que foi sua ruína. Suicidou-se aos 43 anos, da mesma forma que a irmã Laura, morta junto ao marido Paul Lafargue.

Eleanor em foto de 1871, aos 16 anos
A eletrizante biografia da família Marx, aqui publicada em 2013


MISS MARX, longa-metragem da italiana Susana Nicchiarelli, parece sabedor das informações apontadas neste texto, muitas delas organizadas na eletrizante biografia familiar “Amor e Capital”, de Mary Gabriel (Zahar, 2013). Mas as utiliza displicentemente, como se falasse apenas aos marxistas sabedores dos bastidores históricos. O filme sofre de mimetizar a ousadia de Sofia Coppola, que um dia transformou Maria Antonieta em uma figura hollywoodiana sobre os tênis do presente.

Susanna Nicchiarelli, a diretora de Miss Marx

Eis que Nicchiarelli se sente livre, depois de Sofia, para afogar o desespero de Eleanora no bom punk do Downtown Boys. Seu filme tem uma fotografia de qualidade, como se ela trouxesse a nossos corpos a umidade londrina, a se espalhar por tecidos, casacos e tapetes entre o verde e o vermelho. De resto, contudo, MISS MARX é uma oportunidade perdida.

Um punk dos Downtown Boys para a triste Eleanor desabafar

Miss Marx (Miss Marx)

Dir.: Susanna Nicchiarelli

Itália, Bélgica

2020

107 min

https://mostraplay.mostra.org/search.html?q=miss+marx

Uma resposta mexicana para os bacuraus

Nova Ordem”, em cartaz até a meia-noite de hoje na Mostra Internacional,
é o avesso dessas fantasias revolucionárias que inundaram o cinema recente. Nele, um enxame de realidade adentra em nós. Uma velha ordem, crudelíssima, se vê reimposta diante de nossos corações aos pulos

No centro da ação, a coisificação do sequestro

Acompanhe esta receita cinematográfica.

Imagine Bacurau concebido por Francesco Rosi ou Costa-Gavras nos anos 1970, com seu perfeito timing para multidões, acrescido de toques do terror giallo de Sergio Corbucci, mas sem o humor ou o cinismo do Reality Z de Claudio Torres na netflix.

Imagine mais. Um filme sempre sério, sem investigação psicológica e com fotografia sólida, um belo contraste de cores primárias.

Você estará perto de entender Nova Ordem, de Michel Franco, diretor de 41 anos que apareceu para o público da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo em 2015, com o ótimo e amargo Chronic.

Para inserir a Louis Vuitton no caos selvagem

Tudo neste seu novo longa-metragem é violento, frio e verdadeiro, como infelizmente o mundo em que vivemos. Ainda assim, algo nos escapa no filme. A rapidez com que a realidade se desfigura na trama, talvez. Os olhos permanentes do caos. Os sinais da cruz risonhos antes de um roubo de joias ou de um fuzilamento.

Uma doméstica, um sinal da cruz, um roubo, um sorriso

É uma ficção científico-política que responde com furor frio a qualquer arrefecimento da percepção de desigualdade na América Latina e também a qualquer ilusão de fortaleza entre os vencidos, em contramão direta ao que o brasileiro Kleber Mendonça concebeu com seu sucesso de crítica, de público e de tapete vermelho.

Nova Ordem é o avesso disso tudo. Um enxame de realidade adentra em nós. Uma velha ordem, crudelíssima, se vê reimposta diante de nossos corações aos pulos.

Na festa de casamento, o regabofe do trigal loiro

O filme desenvolve-se durante uma festa de casamento em Pedregal, bairro assemelhado ao Jardim Europa das mansões paulistanas, na capital do México. E, com todas as armas do suspense e do terror, muito bem ritmadas dentro do filme, vamos conhecendo o trigal loiro dos burgueses arrogantes que celebram enquanto se anuncia o submundo sem trégua dos oprimidos de origem indígena que lhes servem. São universos incomunicáveis, que se tocam pela má educação e pelas más palavras.

Verde é a cor das pixações dos manifestantes. Verde serve para marcar um território e isolar os burgueses, coisificando-os como mercadorias em um rentável jogo de sequestro. De verde serão manchados igualmente os oprimidos. Verdes são oliveiras, mas também exércitos. 

Um novo tom preponderante para os bens da arte

Quanto sangue você tem? Quanto sangue você vale?

Isto nunca se saberá ao certo nesta obra que exemplifica magistralmente como tudo muda, nos sistemas da desigualdade, para que tudo permaneça como está.

Um mundo fechado para nós que somos ricos

Nova Ordem (Nuevo Orden)
Dir. Michel Franco

México, França

88 min

2020

https://mostraplay.mostra.org/film/nova-ordem/

 da 0h01 às 23h59 do dia 23 de outubro