Dali do alto da avenida São Luís saem os gritos e assovios
que torcerão para sempre bem nítidos contra o coronavírus
e contra o espelho, espelho-meu partido, de salomônicas cnns.
Jaz ali findo, como hades de boteco, aquele a quem chamam presidente,
cataplasma de infeliz clamor, rígido aspecto, o lixo escoado pelos dentes.
Dali do alto da avenida São Luís ouço a morte nas carreatas
dos profanadores de meu país, ilesos, lisos, solventes nas águas livres,
a sorrir para quem dorme nos bancos gélidos, lá onde caem as folhas
e atrás dos quais se põe, declamador quase bíblico,
o Dante Alighieri no central park da praça Dom José Gaspar.
Lutar, amigos, lutar, mas meus olhos estão tristes
e meus ouvidos não suportam mais.
Para completar, zombam desta intimidade de sonho
os abusadores da tibieza do meu corpo, prestes a me obrigar às lágrimas.
Tempo haverá, tempo-tempo-tempo, para que meu rosto, velho bonito que
não se dá a ver, responda ao terror com o sorriso do princípio.
Dali do alto da avenida São Luís, contudo, ainda ouço quando o mendigo infeliz
Lembra à amada, que não se diz mais sua, o muito que tiveram e o que ele lhe deu.
E isto tudo a ecoar feito nada.
Bem sei que muito falta para que, de gritos e assovios, o mundo acabe em estampido,
mas sinto que até lá, desgarrada, sorverei o sangue estreito em uma colher de chá.
Mother and child
And I say to myself
Between the years,
Between learning to walk and growing up,
There is a promise in these brown eyes,
There is a promise so old that it is always new.
And I say to the world, proudly:
This is my present to you,
These brown eyes with their promise.
And in the still night I say to you, fondly;
Now I begin to understand.
This promise is so old that is forever new.
These brown eyes were a present to me,
Now I give them to you.
Nell Dorr em “Mother and Child”, 1954.
nem nada
nem mariana,
nem brumadinho,
nem ct do flamengo,
nem boate kiss,
nem os meninos que dentro do carro fuzilado comemoravam o primeiro dia de trabalho,
nem os treze metralhados no morro do Rio,
nem o “tiroteio” ainda utilizado nos títulos dos jornais.
nada mudará esse quadro em que seremos menos e menores que as miúdas arraias.
aparentemente
mudança é um veículo no tráfego embargado.
estamos sozinhos pra brigar uns com os outros,
isso sim.
o pão no circo.
um homem na multidão.
só
eu só entendo poesia
não adianta
só poesia
quanto mais incompreensível
Werther e eu
neste ano e meio
perdi meus pais,
o meu país
e algo mais
que era o lar.
desfiz o que projetei.
ninguém se interessou
em saber o que deixei pra trás
ou o porquê.
não há curiosidade
neste novo werther
derramado em meu rosto.
que futuro eu poderia vislumbrar?
caio com delicadeza de fada nas manhãs sozinhas.
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