De 19 de outubro de 2016
Adoro Buenos Aires. Mas preciso dizer. Que decepção quando viajei para lá a primeira vez, há um quarto de século. Sozinha. Somente Salvador se equiparava então, por minha experiência, em machismo praticado contra uma turista solitária.
Estranhei o quarto de hotel onde me colocaram. Fiquei no segundo subsolo, a janela diante da parede. Reclamei, nada foi feito. Prossegui. No meu andar se hospedavam duas brasileiras em um quarto. Demorou três dias até eu perceber que se esquivavam de meus cumprimentos. Recebiam uns tipos à noite.
Fui almoçar em um restaurante na avenida Nove de Julho. Na hora de pagar a conta, me disse o garçom, loiro de olhos azuis: “Saio às quatro, me espere na rua X”. Fiquei assombrada. Achava que só no Brasil, como acontecera na Bahia antes, eu seria chamada às vias de fato por estar sozinha em uma mesa: “Por que tá dando uma de difícil comigo, porra?” – perguntou o sujeito que se sentou na cadeira em frente à minha, no Zanzibar, sem permissão.
Não estranho, infelizmente, o feminicídio na Argentina.
E aproveito para dizer: nenhuma a menos.
Esta é Alessandra Leão durante o lindo show de lançamento do seu disco “Macumbas e Catimbós”, sábado, 24 de agosto, no Auditório Ibirapuera.
Digressão.
Aqui, uma montagem com cenas de um seriado de televisão holandês de 1969,
Nunca vi coisa parecida com o documentário Our Planet. O mais próximo em impacto que uma filmagem da natureza exerceu sobre mim foi A Crônica de Hellstrom, sobre insetos, que passou em cópia ruim no Cine Bijou dos anos 1970. Meus olhos de criança mal fecharam por dias.