Policiano!

Quando falo sério, não me acreditam.
Quando brinco, chamam o socorro do Instagram pra me ressuscitar.
Quem me entende?
A rua e os loucos da rua, por certo.
Amo viver no alto deste prédio, nesta avenida que provoca uma saudade imensa das minhas viagens diárias, e por onde agora todos passam, muitos sem máscara, suicidando-se.
Um deles grita aos intervalos, desde as dez da manhã:

– POLÍCIAAA!!! POLICIANOOO!!!!

E eu sorrio para a incompreensão que ele causa, ecoando a mim.

Na vigência pandemente

Acabo de comentar com uns amigos daqui como rio e choro o tempo todo durante a vigência pandemente de meu país, como tudo fotografo (embora isto faça sempre), e como tudo quero ser, o presente, o passado, e como vejo um futuro, quem sabe, engordando (sem ser triste) a cada dia, e como tudo quero amar. Há quem não me entenda, quem não me veja, nem agora, nem antes, muito menos na imagem do que será, não importa, não os vejo nem entendo tampouco, eu que vivo ao lado deles. Perdoem a enxurrada de fotos, de auto-imagens, de desconcertos neste fluxo demonstrativo de nossas vidas que eram uma antes e agora são outras. Perdoem-me a ausência de outros rostos, perdoem que seja o meu. É um processo de cura e entendimento, quem sabe, e espero que o aceitem os que me têm amizade, talvez só eles, viva eles!, e que tudo viva em nós.

Live and let die

pelo curto período de tempo em que minhas amizades mostram seus filmes, seus desenhos, seus vídeos, suas fotos, seus poemas, críticas, receitas, seus cantos, seus lamentos, suas costuras, filosofias, suas aulas e suas histórias e seus loucos experimentos, eu me esqueço desse mundo de porcaria em que nos colocaram profundamente e existo numa plenitude como nunca antes nestes últimos quatro anos, viva na pele de uns outros personagens que não eu, livres por completo desse ressequimento.

façam suas lives!

isto também é viver!

e um dia vou me atrever à minha (com algum photoshop, que só assim pra esta face se atrever.)

para ser livre

liberdade para todas as religiões.

mas igualmente liberdade para quem não acredite em religião nenhuma.

é o mais difícil de pedir a qualquer um, eu sei.

mas imagine, como imaginou John Lennon, um mundo sem religião.

ou pelo menos liberte quem imagina um mundo assim.

liberdade para quem veja no papa, nos padres, nas freiras e nos freis, em todos os líderes de todas as igrejas, apenas homens e mulheres, figuras políticas boas ou más, mal intencionadas ou do bem, comprometidas ou não com a vida na terra, que é a única até agora vivenciada por todos nós.

entendo que precisamos começar a nos acostumar com a liberdade, e a discuti-la, para o dia em que ela chegar.

ou pelo menos temos de nos acostumar à ideia de não desmerecer ninguém que possa lutar ao nosso lado por uma vida nova, ainda que utópica, vida esta que todos, até os sem religião, saberão pregar.

Race is for horses

Li algo interessante proferido por Daniel Filho. Mas, como se trata desse infame, não repercuti.

Preciso citá-lo agora, contudo. Porque ele disse acreditar que Regina Duarte, sua ex-mulher, está cega de paixão por Bolsonaro. E que faz qualquer coisa pra manter o fogo aceso.

Infelizmente, creio que ele está certo.

Assim foi Leni Riefenstahl, caída por Hitler, enquanto Goebbels, o rejeitado, esperou por uma lasca da cineasta até o fim da vida, sem conseguir.

Regina Duarte é a dama da arte pra quem Bolsonaro faz tudo. Até de Brasília ele a dispensou.

Daquela reunião ministerial, sinistral, ela nem precisou participar!

Porque aquilo…

Aquilo foi um duelo.

Ou um rodeio.

Corrida de cavalos.

Homens e uma mulher medindo membros diante de seu Führer.

Weintraub logo dizendo que tem o maior.

Guedes, exibicionista experimentado nas surubas das SSA de Chicago, espirrando terror.

Salles, um sedutor sem sorte, apelando pra tudo, pro infralegal, pro imoral debaixo da mesa…

E o desespero de Danares, sem porra nenhuma a declarar?

Salò Republic dos Puxa-Sacos, amici miei!

Só queria ter conhecido o texto convocatório para a “reunião”.

Ou para a disputa.

Pra suruba.

Ou pra quê, não sei.

Perto de mim

por mais que eu me esforce em afastá-los, ainda tenho muitos bolsominions entre os amigos das redes sociais.

não que eles se atrevam ao 17 com bandeira.

pegaria mal…

pelo contrário, são gente da paz, esperta, “neutra”.

mas depois de um tempo você começa a ver umas postagens estranhas.

“os brasileiros são tão fortes pra cocaína, pra sacarina, pra todas as ‘inas’, todos os vícios, mas tão medrosos para os efeitos colaterais da cloroquina, hahaha!”

me dá tristeza, mais do que raiva, ler coisas como essas.

raiva eu sinto ao ver, daqui do alto, o centro da cidade cheio de gente, sem máscara e sem noção do que já perdeu.

Vaso quebrado

O músico Guilherme Kafé aplicou sobre uma de minhas fotografias sua grande arte e com ela elaborou a capa de um novo single, “Vaso Quebrado”, gravado em parceria com Mauricio Tagliari, e que sai nas plataformas digitais dia 22.

Sinto-me honrada, feliz além da conta. Como se não estivesse só neste mundo, capaz de me comunicar com ele por meio de uma expressão fotográfica.

Obrigada, queridos. 💜