por que koo

eu sei que isso não interessa a vocês, pessoas sérias, mas me sinto acolhida no koo por motivo de: os memeiros me seguem e eu os sigo.

sinto que estou ganhando uma família melancólica e desesperançada, por isso mesmo divertida, para quem o humor, bom ou terrível, se não cura, alivia.

e de rede social nada se leva, não é assim?

2 de janeiro de 2021

Minha cabeça que roda e roda enquanto deveria ficar quieta é incapaz de inventar coisas simples e criativas como esta que li há pouco num texto de facebook, isto é, plantar sementes descascadas de limão em canecas para perfumar a casa e a encher de vida.

Sou muito ruim de tarefas domésticas e arrumação, e minhas habilidades manuais talvez se resumam a pendurar a roupa no varal de modo a que não seja preciso passá-la. Vou mal e minimalista na cozinha, sou impossível de crochê e não me arrisco a desenhar, mesmo tendo sido filha de um desenhista exímio, mulher de um e mãe de dois bons, um deles extraordinário.

Minha casa, para quem a conhece, é um retrato de histórias. “Sem decoração”, como fez questão de lembrar uma parente, com a ponta de sinceridade (não devo dizer maldade) habitual.

Livros por todos os cantos, livros que ganhei quando os editava para as publicações gerais, a cada dia menos interessadas neles. Livros que são antigos e que leio com vergonha aos pedaços, quando os leio. Livros em torno da tese que escrevi e só eu li. Tese de muitas pontas, que decidi qualificar de poligonal, e que não me possibilitou entrada no mundo acadêmico, como me lembrou um ex-amigo para justificar que ele não me defendesse quando fui publicamente ignorada por um crítico desinteressado dos livros, com lapsos de memória, mas gente de culto.

Infelizmente demoro demais a ler coisas novas, e até o pdf do livro-sensação ganhei, mas não me capturou logo nas primeiras páginas (alguma mágica que deixei de sentir), então logo me despedi dele, para começar a Felicidade Conjugal de Tolstói, homem cuja vida ou personalidade jamais admirei, mas que escreve como quem conversa as coisas desde seu princípio até sua impossibilidade.

Não sou uma scholar e não leio tudo, mas deixo de fazê-lo com culpa. Com culpa e responsabilidade. Tenho filhos jovens que leem e não raro se sentem solitários porque os amigos não compartilham suas leituras. Espero que, se houver netos para mim, sejam estranhos leitores no seu tempo, divertidos com os livros da grande biblioteca que possivelmente iremos lhes legar.

Tive filhos, tive misérias, mas nunca causadas por eles, com quem aprendi todo dia um novo modo de entender as coisas, estas que no fim das contas são muito parecidas, mas nunca iguais, nascidas da crise que é constante, como observou Edgar Morin, e que combatemos em oásis de felicidade, termo dele também.

Tenho igualmente muito amigos que não leram nada e que mal entendem do que eu estou falando. Mas, quando nos encontramos, rimos. Como perdemos essa possibilidade com a pandemia, de nos enroscarmos com vinho, nos lamentamos via memes, estes que considero uma grande invenção, mas que não têm o mesmo efeito de um comentário-soco em mesa de bar quando nele entra alguém.

Quem lê assim até pensa que sou do bar, mas sempre bebi mais em casa que fora dela. Meu marido é um pro, que identifica o bom da bebida entre o ruim. Eu também identifico, mas me envergonho por não saber as razões de superioridade ou inferioridade de qualquer coisa líquida, estas que ele descreve à perfeição.

Ele é bem perfeito em tudo, aliás, tem uma memória extraordinária e lê todas as coisas interessantes, muito mais do que eu. E não as dispersa pelo Facebook, como eu, carente da conversa alheia num círculo de amizades que a idade começa a fechar mais e mais. Ele guarda tudo para despejá-lo quase sempre na forma visual, condensada e difícil, da canção.

Por que estou dizendo tudo isto, não sei. Talvez por estar sorvendo estes dias livres, depois de pela primeira vez na vida ter trabalhado no dia 31 de dezembro (verdade, sempre forcei a sorte nos plantões de redação). Sou dispersa e desatenta de um modo geral, distraída pra morte, como dizia o Otto (aliás uma das coisas mais bem ditas da música popular), razão pela qual fotografo a rua com prazer.

Escrevo tudo isto com um dedo só no celular, e na cama, da qual demoro a sair de manhã, lendo ali mesmo, via internet, as notícias da barbaridade cotidiana. Fui jornalista que nunca admirou excessivamente os jornais, e não me lamento por ter perdido a gana, não só a grana, de comprá-los.

Nos últimos dias, os algoritmos têm me trazido as excepcionalidades, a natureza, um pouco menos de desesperança, razão pela qual agradeço.

Sim, é verdade que não vejo dilema em redes sociais, só escolhas, e até boas, muitas delas.

Tudo isto para dizer que tenho o coração tranquilo?

Nunca está.

Mas talvez por esta razão exista um infinito dentro dele, onde cabe você.

Do que ri você?

Filmes no Festival de Cinema Italiano navegam em torno do humorismo de reflexão

Não sei se sabem que fica em cartaz até 4 de dezembro o Festival de Cinema Italiano. Gratuito, no streaming. Muita coisa realmente boa está ali para ser vista desde o sofá. Como se trata de festival italiano, não perca a retrospectiva. Não há só Visconti, o soberbo, com “O inocente”. O riso clássico tem seu espaço aqui.

Encanto, assombro, grotesco, reflexão, eis alguns ingredientes da comédia à italiana. Um cinema sobre perdedores, enganados, pequenos, esquecidos. Cinema direto, emocional, feito de autoderrisão. Meu cinema…

Bem poucos, mas importantes filmes dessa linhagem cômica estão no festival. Dois deles, de Dino Risi, são conhecidos e bem-sucedidos em épocas diferentes: “Pão, amor e…”, com Sofia Loren e Vittorio de Sica, e “Venha dormir lá em casa esta noite”, com Ugo Tognazzi e Ornella Muti (e uma curiosa tradução para o título que em italiano significa “A alcova do bispo”.) Ironista implacável e pleno de musicalidade, Risi se formou médico, mas trocou a carreira pelo cinema por se ver incapaz de curar…

O terceiro dos filmes é o raramente visto “O mal obscuro”, de 1990, com roteiro dos espetaculares Suso Cecchi D’Amico e Tonino Guerra para o livro homônimo de Giuseppe Berto (editora 34). Dirigido por Mario Monicelli, o filme encontra o humorismo na situação extrema vivida por um escritor que sintomatiza seu terror psicológico. O protagonista é vivido pelo Giancarlo Giannini estupendo de sempre. Eis um ator para qualquer papel ou dialeto, com sua extensão física e intensidade expressiva. Que face perfeita para vestir a solidão!

Com filmes assim você conhece um outro tipo de humorismo. Não se trata de piada ou insulto. São roteiros trabalhados sobre gags, situações físicas e emocionais no limite da realidade, muitas vezes nem mesmo engraçados, frequentemente trágicos, dramáticos, temperados pelas trevas, tão habituais nos seres humanos.

Ontem assisti a “Comedians” (veja a sequência de frames), um filme feito pelo napolitano Gabriele Salvatores, em 2021, a partir de uma peça inglesa de Trevor Griffiths. Salvatores ajuda a explicar esse humor a que me refiro, descendente da tese de Luigi Pirandello segundo a qual o verdadeiro riso nasce da reflexão. O filme é um exercício teatral que mostra comediantes horas antes de uma seleção a ser aplicada pelo personagem de Christian de Sica, filho do diretor Vittorio e estrela da televisão italiana. “Comedians” faz perguntas. Que humor importa? O que busca espelhar a expectativa do espectador ou aquele que pretende despertar o potencial de transformação adormecido nele?

VENHA DORMIR LÁ EM CASA ESTA NOITE (La Stanza del Vescovo)

PÃO, AMOR E… (Pane, Amore e…)

MAL OBSCURO (Il Male Oscuro)

Soube da morte de Gal pela manhã, fiquei muda, tinha de trabalhar, trabalhei, nem comi, vim pro no consultório médico e só agora, justamente agora, no corredor de espera da clínica, meio da tarde, janela estreita aberta ao sol brilhante, bonito, que parece gritar sua voz, as lágrimas decidem aparecer.

MANÉ É MANÉ

Ainda bem que alguns amigos do meu face, como a Anita Galvão, me ajudam nessas horas. Hoje de manhã, rachei o bico ao saber de uma nova fake news da bravata dos doido, que ela nos contou por lá, gargalhando. E depois do café com facebook, fui à feira.

Perguntei ao vendedor se ele pagava menos taxa quando eu levava os limões no débito, em lugar do crédito.

O sujeito, que antes conclamava com mau humor as freguesas a gastarem com ele seu suado dinheiro, fechou a cara ainda mais.

– É tudo a mesma porcaria. E agora, ainda mais, vão começar a cobrar pelo Pix em 1 de janeiro.

– Fake news, meu amor!

– Ah, é? E o que faziam os banqueiros ao lado do cara?

Pensei. Não vou ficar braba. Nem vou jogar os limões aqui. Vou pagar pra me divertir.

– Verdade, né? E o Paulo Freire, que vai virar ministro da Educação?

– Então? – respondeu, sem que eu conseguisse identificar a cor da cara azeda numa escala pantone. E emendei:

– Vai virar nem sei como, porque o Freire morreu tem uns 30 anos, amigo!

– Quero é ver!

– Aí que está, não vai ver!

E continuou me respondendo, meio sem braços, feito o cavaleiro negro do Monty Python. Jamais volto nessa barraca, porque o problema com essa limonada de cérebros é a gente não se divertir direito com ela, já que, como sabemos, não dispõe de cognição pra entender piada.

E seguimos com Bezerra da Silva, malandro é malandro, mané é mané!

Deixem meu sorriso

Ah pronto.

Você não pode rir do que acontece de ruim.

E seria bom não chorar.

Seria melhor não acreditar, nem rezar, nem pular.

Estar contrito, vigilante, inabalável.

A seriedade confiável, a alegria sem juízo.

Seria bom não brilhar a carne, deixá-la intocável, segura de seu caroço, sua semente.

E assim não viver, nem sentir, apenas vigiar e punir.

Eu aconselharia aos moralistas progressistas da rede social também o riso, pois ele carrega consigo o deslocamento, a contradição, o paradoxo, a capacidade de raciocínio num segundo, a agilidade do sonho e do poema.

Aconselharia.

Porque não vou obrigar ninguém, obviamente, a nada.

E vou continuar no meu caminho.

Acertamos a cor!

A jornalista e a cabeleireira: oportunidade que o zap nos dá

Precisei do salão coreano ontem, para o qual me dirigi um pouco apreensiva. Há mais de um mês posto informações sobre a eleição no stories do WhatsApp, justamente para tentar furar a bolha e atingir pessoas como minha cabeleireira, cerceada por fake news que são  tubarões. O que ela acharia das informações que ponho para circular no zap?

Observo que, sim, ela é presente em cada status meu, embora não comente as postagens. Como minha cabeleireira, o tapeceiro, o dedetizador, a marmiteiro, o perueiro, a mulher que faz bela azeitona, a faxineira, a funcionária da imobiliária, alguns amigos e parentes, todos estão lá, sempre presentes. Mas não os vejo nunca, razão pela qual não preciso sofrer o desgaste do contato.

Agora vai ser diferente. Minha cabeleireira trabalha há décadas nesse salão que frequento há três anos, embora não seja coreana. Sua hidratação é ótima, usa vapor, um método que, tudo indica, a Coreia do Sul de belas mulheres bem tratadas também usa. Saio feliz de lá, quando vou, e gasto relativamente pouco.

Ontem, marquei um horário e só pude aparecer uma hora depois. Ela disse que eu poderia ir, mesmo atrasada, embora ressaltasse um problema de horário: teria de sair às cinco e ponto para a reunião da sua igreja.

Pensei: deus do céu. Mas também pensei: ela não me rejeitou. É uma boa profissional, só interessada no que faz. Mal conversa. Se for evangélica bolsonarista, não vai falar nada para perder a cliente, ninguém é besta assim.

Chego e a porta de vidro está fechada, como tem sido nos últimos tempos, quando famintos e noias se acumulam em todo canto, especialmente na rua José Paulino, para vasculhar o lixo, a tapas, diante dos atacadistas no fim de tarde. Olho para baixo do letreiro adesivado na porta de vidro do salão e vejo-a procurar quem chegou. Me sorri!

Entro no salão e sou a única cliente, com três funcionárias e uma gerente a arrumar as mesas, varrer e limpar materiais. Tento ser simpática: “Que sorte a minha, só eu e vocês!” Digo para a minha cabeleireira que me atrasei em função de um trabalho como jornalista frilancer e ela abre um sorriso ainda maior: “Você é jornalista, então! Só podia!” Eita. “Adorei aquele Tarcísio no poste, perdido em São Paulo, que você colocou…”

Ela é das minhas? Ou o que eu postei funcionou? Ela crê que eu só poderia votar em Lula, sendo jornalista. E eu retruco que há jornalistas bolsonaristas de monte, não se fie! Ao que ela diz: “Na minha família, a maioria é bolsonarista, especialmente quem trabalha em saúde (!). Por isso uso suas postagens, pra provocar eles no grupo de família.”

Hahaha. Sim, ela vota em Lula e hoje fará em sua casa mais uma leitura semanal do evangelho. “Mas sou a única que vota em Lula no salão. Os donos coreanos são bolsonaristas, claro.” Olha em volta: “E elas também!”, apontando para as colegas. Vixe. “Sabe quem está aqui e vai explicar as coisas pra vocês?”, grita para as funcionárias, de repente. “Uma jornalista!”

É claro que eu mereço. No dia em que encontro um horário pra cuidar de mim e relaxar, alguém me põe pra conversar com o gado, cheek to cheek! Contudo… É um instinto. Já entendo que não serei maltratada como fui pelo macho escroto que dirigia o carro do Uber. São mulheres, trabalhadoras, mães. Não é possível.

Então me imagine como um personagem de Jacques Tati. Estou metida num vaporizador que cobre os cabelos e solta fumaça pra todo lado. Três quilos mais gorda, depois da imobilização no pé, sou a própria jubarte no centro do salão, a dialogar com o povo! Estou no centro e elas, sentadas em volta. Me lembro da Dilma cercada pelos milicos de 69. Do Haddad no Roda Viva. Do Lula com Renata e Bonner. Me inspire, se isso for ao menos possível, paim!

A mais faladora é a loira de cabelos amarrados, uniforme preto, vassoura nas mãos, trinta e poucos anos. “Lula, sai fora!” Ela vota em Bolsonaro e “no outro” (gente) porque é de deus. Acha que Lula não é? “Meu pai era metalúrgico e votava no Lula. Dois anos depois que ele assumiu, não votava nele nunca mais. A vida dele piorou.”

Digo-lhe que tb fiquei desempregada nos primeiros anos do governo Lula, mas que não o culpei por isso. “Sou mulher da Bíblia e não aceito.” O que não aceita? “Certas coisas. Ideologia de gênero não!” Mas isso não existe, sabe? Kit gay é fake news. “Mas sou contra essas coisas na escola. Homossexualismo. Aborto.” 

Você diz, falar sobre isso? Mas é preciso falar. Ensinar o que é aparelho reprodutor. Eu estudei durante a ditadura e lá com meus 12 anos aprendi onde ficavam os ovários, o útero, o pênis. Quantos anos tem seu filho?

“Dezesseis”.

Então ele já pode saber sobre isso, não?

“Ele sim. Mas banheiro unissex não!”

Não existe banheiro unissex em escola. Como existiria?

“Na escola do meu filho querem implantar.”

Quem quer implantar?

“A escola”.

Então é só dizer que não quer, certo? O Lula não pode decidir isso. Como não pode obrigar alguém a ser homossexual ou a abortar.

“Ele disse que vai dar dinheiro pras pessoas. Quero é ver.”

Ele não disse que vai dar dinheiro. Ele não é o Silvio Santos! “Ele disse que, com emprego, você vai poder comprar as coisas”, pronuncia-se minha cabeleireira, sentada numa poltrona. Bravo! Mas a loira insiste. “Não se deve dar. Tem de dar a vara de pescar, não o peixe. As mulheres tinham seis, sete filhos só pra ganhar o bolsa família!” 

Mas querida, ter seis, sete filhos pra ganhar essa miséria? Como assim? Não é pedir pouco para a vida? “Tá cheio de gente que faz isso!” Mas, veja, com o bolsa-família tem de haver uma contrapartida, que é a criança estudar, isso é um grande benefício. “Aí que elas gostam! Deixam o filho na escola, ele come lá e tudo, ela não faz nada o dia inteiro!” Mas vc concorda que as crianças têm de ter merenda na escola, não? “Claro. Nos últimos anos elas têm sim, até almoço”. Na escola pública de seu filho oferecem almoço? “Sim, melhorou muito isso depois que o PT saiu”. É uma escola estadual? “É!” Interessante. Não sei de nenhum caso parecido. De todo modo, não é o Bolsonaro quem dá dinheiro para as escolas estaduais, vc sabe disso, não? É o governador, o Doria, foi o Alckmin, o PSDB.

Silêncio. “Dar dinheiro, dar cerveja! É isso que o brasileiro quer. Não trabalhar e ter tudo. Aí que ele vai folgar.” Você acha o brasileiro folgado? Acho que ele trabalha tanto! “É verdade, mas tem uns que Deus me livre.” Sim, mas isso tem em todo lugar, concorda?

Meus sais. Boca seca. Quero valorizá-la, quero valorizar o que ela construiu, ou ela não vai me ouvir. “Você me parece inteligente e informada. Tenho certeza de que não quer ser tratada com desrespeito, como a Damares trata. (Nessa hora estava tão empenhada que nem percebi o que eu falava.) A Damares inventa uma situação para deixar as mães apavoradas, silenciadas, contrárias à escola. Como inventar o que ela inventou, sobre as crianças na ilha de Marajó?

“Você acha que a Damares inventou aquilo? Aquilo acontece!” Ela inventou aquilo. Para assustar o público da igreja. Pra fazer campanha. O Ministério Público pediu as provas e ela não deu, disse que tinha ouvido das pessoas. “E as pessoas não podem estar falando certo? A gente ouve cada coisa!” Sim, a gente ouve. Mas a gente não é ministra dos Direitos da Família. Quando a gente é ministro, se ouve uma denúncia dessas, tem de investigar, mandar prender os responsáveis e acudir as vítimas. Ou ela mentiu sobre a violência pra fazer campanha pro Bolsonaro ou o fato existiu e ela não tomou providência! De toda forma, ela cometeu um crime.

“A verdade é que eu não sinto no Lula, sabe, um projeto claro pra economia.” Não sente? Olha, ele diz duas coisas importantes, ao menos. Uma é que rico tem de pagar imposto. E rico não sou eu, nem você, nem os donos deste salão. Rico é quem tem mina, terra. Então, essas pessoas não podem pagar menos, proporcionalmente, do que a gente paga. Salário não é renda. E outra coisa que o Lula diz é que o pobre precisa entrar no orçamento, isto é: tem de ter saúde, tem de ter escola pro filho, comida na mesa e emprego. Com políticas públicas pra isso, com dinheiro público. O Estado existe pra isso.

“Mas o Bolsonaro não pode fazer tudo.” Pode sim. Deve. A gente paga imposto pra ele administrar. Se eu estou em situação vulnerável, se não posso trabalhar por acidente, ou porque uma pandemia chegou, ele não tem de ajudar? “Tem. Mas ajudou, deu 600 reais, não deu?” Não foi ele que deu. Você sabe, ele é o presidente, o executivo, que executa o que o Congresso mandar. O Congresso, os deputados e senadores, sabe? Quem faz as leis? Bolsonaro não pode decidir sozinho. Neste caso, nem 200 reais queria dar! Foi obrigado pelo Congresso. Ele e o Guedes não gostam de povo. Governam pra empresário. Empresário sonegador, tipo o Velho da Havan. Mas não pode ser assim. O empresário tem de pagar imposto conforme ganha. 

“Eu acho que não importa quem estiver lá. Vai dar sempre errado.” Como assim? Faz muita diferença quem esteja lá. As diferenças que lhe contei. Por que vai dar errado? “Porque… ai, olha, eu sou da Bíblia.” Sim, isso eu entendi. Mas o que diz a Bíblia? “Diz que vai vir o Apocalipse, e que tudo vai desaparecer.” Ah, mas isso demora, não? E enquanto isso a gente não pode ser feliz, tomar uma cerveja e comer um churrasco?

Continua a varrer, “a senhora não me convence”, as outras abaixam a cabeça, minha cabeleireira ri. Termina o serviço e diz, levantando minhas mechas: “Olha que cabelo você tem! Parece uma permanente, cheio. E as mulheres coreanas aqui pagam pra ter o cabelo que vc já tem.” Gente. Nunca ouvi um elogio dela antes. No final me abraçou, sorriu e disse que agora acertamos a cor.

Acertamos a cor!

HINO AO JUIZ

Arte de Rodtchenko para a capa
do livro “Maiakóvski Sorri,
Maiakóvski Ri”, de 1923

Pelo Mar Vermelho vão, contra a maré,
Na galera a gemer os galés, um por um.
Com um rugido abafam o relincho dos ferros:
Clamam pela pátria perdida – o Peru.

Por um Peru-Paraíso clamam os peruanos,
Onde havia mulheres, pássaros, danças,
E, sobre guirlandas de flores de laranja,
Baobás – até onde a vista alcança.

Bananas, ananás! Peitos felizes.
Vinho nas vasilhas seladas…
Mas eis que de repente como praga
No Peru imperam os juízes!

Encerraram num círculo de incisos
Os pássaros, as mulheres e o riso.
Boiões de lata, os olhos dos juízes
São faíscas num monte de lixo.

Sob o olhar de um juiz, duro como um jejum,
Caiu, por acaso, um pavão laranja-azul:
Na mesma hora virou cor de carvão
A espaventosa cauda do pavão.

No Peru voavam pelas campinas
Livres os pequeninos colibris;
Os juízes apreenderam-lhes as penas
E aos pobres colibris coibiram.

Já não há mais vulcões em parte alguma,
A todo monte ordenam que se cale.
Há uma tabuleta em cada vale:
“Só vale para quem não fuma.”

Nem os meus versos escapam à censura:
São interditos, sob pena de tortura.
Classificaram-nos como bebida
Espirituosa: “venda proibida”.

O equador estremece sob o som dos ferros.
Sem pássaros, sem homens, o Peru está a zero.
Somente, acocorados com rancor sob os livros,
Ali jazem, deprimidos, os juízes.

Pobres peruanos sem esperança,
Levados sem razão à galera, um por um.
Os juízes cassam os pássaros, a dança,
A mim e a vocês e ao Peru.

VLADÍMIR MAIAKÓVSKI, 1915

em “Maiakóvski Poemas”, ed. Perspectiva, 2017.

Tradução de Augusto de Campos

O heróico MST na vertigem do cinema

O novo documentário de Adilson Mendes aproxima de nossa compreensão os seres humanos que integram o movimento e que, como consequência, comandam a zeladoria do planeta

As mãos do trabalhador sem-terra Jussimar Luís Dalenagare, presentes no documentário De quanta terra precisa o homem?

Pode-se dizer que um quarto de século se passou entre o brilho que o MST causou a primeira vez nos olhos do cineasta e historiador Adilson Mendes e a feitura do documentário único que é De quanta terra precisa o homem?, de sua autoria, sobre o movimento. Adilson procura o cerne das coisas, das boas e dos problemas, com muita beleza e um ritmo espetacular, a vagar e ecoar como o barulho das águas, sempre presentes nos seus filmes. É dos nossos mais promissores jovens documentaristas, sem fazer caso disto. Considera-se apenas um pesquisador que filma, um cineasta da história, por ela e com ela. Mas a sua é uma história inusitada, uma vez que contém poesia. E talvez seja deste modo poético que um único artista do filme acabe por representar o cinema inteiro.

No ano passado, durante a 45 Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o diretor apresentou seu talento ao público pela primeira vez, em “Tempo Ruy”, sobre a obra e o pensamento do grande cineasta que é o homem do Atlântico Ruy Guerra. O filme se faz a partir de um diálogo com suas ideias e termina por ser um editorial sobre a solidão empreendida, acompanhada das memórias. O documentário será mais bem sorvido no futuro, porque hoje andamos a ensaiar nossa cegueira e ainda não o vimos suficientemente…

Agora, o que Adilson Mendes fez e apresenta nesta 46 edição da Mostra é muitíssimo importante, mais uma vez. No momento perturbador em que vivemos, com as tantas ameaças a nossa democracia, o diretor mostra a face e as mãos dos sem-terra que fazem o MST. Geralmente tendemos a vê-lo como um movimento indistinto, de gente importante, por certo, mas sem o rosto que nos impele à empatia. Ou as mãos. Adilson mostra esses homens e mulheres com ênfase na sua racionalidade, mas também nas suas histórias de vida. Quem é sem-terra nunca está só. Sua produção mira a comunidade e, mais que isto, a saúde do planeta. 

De quanta terra precisa o homem? faz o contraponto necessário entre esses heróis brasileiros, que sobrevivem mesmo às duras penas de um governo miliciano, e a entrada, no movimento, do ex-banqueiro Eduardo Moreira, importantíssima voz da esquerda atual. Será ele a empreender o crédito que libertará o trabalho na terra do azedume do poder.

Na abertura do filme, um drone observa o desenho que um trator dos sem-terra faz nas águas, como se o veículo fosse um pincel de aquarela. Mas, antes, é uma epígrafe a conter um trecho de texto do crítico Paulo Emilio Salles Gomes a nos emocionar: 

Na história do liberalismo e da pseudodemocracia do Brasil, os grandes fazendeiros, industriais, comerciantes e banqueiros já falaram muito. A classe média e o operariado disseram algumas palavras. Os trabalhadores da terra são a grande voz muda da história brasileira.

A seguir, a entrevista com o diretor Adilson Mendes.

A sem-terra Lúcia Marlei Rodrigues, no filme de Adilson Mendes

Fale-me um pouco, por favor, sobre o projeto do filme. Como ele surgiu? Como você conseguiu empreendê-lo? De quanto tempo precisou para fazer o filme, desde a pré-produção?

De quanta terra precisa o homem? é um filme de baixíssimo orçamento, encomendado por Eduardo Moreira. O filme é uma encomenda no sentido clássico e o esforço foi atender a uma demanda individual, mas principalmente a uma demanda social. Fazer uma homenagem ao MST é um desejo antigo. Desde 1998 que acompanho o movimento, quando – estudante de História em Assis – fui até Brasília com eles para protestar contra FHC. A ocasião da homenagem em forma de filme surgiu quando Moreira me convidou para colaborar em seu Instituto Conhecimento Liberta. Durante a pandemia, Moreira e sua equipe criaram uma plataforma de cursos online e me convidaram para realizar algumas atividades: a) ministrar disciplina sobre Cinema e Sociedade, b) organizar uma coleção de ebooks [Coleção Grandes Filmes do Brasi], c) criar um programa de bolsas para produção do audiovisual periférico [O Brasil de Verdade oferece bolsas de cinquenta mil reais para jovens da periferia do Brasil e teve, entre seus bolsistas, o cineasta do Capão Redondo, Lincoln Péricles, que, em 2021, fez um lindo curta-metragem, Mutirão] e, por último, d) realizar esse documentário.

A decisão de fazer De quanta terra precisa o homem? se deu quando Moreira me mostrou uma série de materiais audiovisuais que ele próprio produziu em suas viagens pelos rincões do Brasil, junto a povos indígenas, quilombolas e sem-terras. Mesmo tendo sido feito de forma amadora, o material de Moreira sobre o MST me interessou particularmente. Além disso, ele como personagem me pareceu estimulante para pensar as forças sociais em ação no país neste momento. Sua singularidade de novo rico recentemente convertido a causas sociais me pareceu uma mediação possível para apresentar o MST. Moreira está no centro de uma operação no mercado financeiro em que o movimento social adquiriu títulos de dívida com juros baixos.

A ideia de fazer o documentário surgiu em 2020, pouco antes da pandemia. Para compor o retrato do movimento foi preciso filmar seu lugar de origem, a região Sul do país. As filmagens das plantações de arroz e suas cooperativas estruturam o filme e absorvem o material produzido de forma amadora por Moreira. A pandemia atrasou a produção e o filme foi concluído apenas em setembro deste ano.

Você pergunta a um dos personagens qual filme ele queria ver feito, e seu documentário o contempla. Foi o filme que você quis fazer? Entre o projeto inicial e o resultado, quais caminhos novos você descobriu?

Você tem razão: o objetivo foi contemplar o MST. O personagem em questão é Jussimar Luís Dalenagare, ele foi decisivo para o filme. A maneira como Jussimar e sua companheira Isabel Cristina Dalenagare internalizaram o ideário do MST é de uma profundidade surpreendente, transferindo para a vida as práticas da agroecologia. E a agroecologia é tomada por eles como proposta de renovação da vida social, não apenas como técnicas de plantio. Este para mim é o maior ensinamento desse filme.

Como o documentário procura ouvir e atender à demanda do MST, busca converter uma encomenda individual em uma encomenda coletiva, o diálogo com os membros do movimento foi estruturando o filme ao longo do processo. Desde o início ele foi pensado para se desenvolver conforme o avanço do diálogo com o MST. O diálogo é que estrutura o roteiro, mesmo se Felipe de Moraes e eu, a partir das preciosas indicações de Miguel Stédile, estabelecemos linhas básicas para abarcar os temas centrais do movimento. O que eu não sabia era que o diálogo com o MST transformaria não apenas a forma do filme, mas toda a equipe de De quanta terra precisa o homem?, que sentiu de perto o ethos da coletividade. A propósito, esse filme não seria possível sem a incrível equipe reunida por Juliana Lira, a produtora executiva. A delicada fotografia de Carine Wallauer que busca a luz inquieta do movimento. A música de Dino Vicente, que constrói com uma viola atualizada. Fábio Costa Menezes é o montador também de Tempo Ruy.

A díade indivíduo/coletividade ganhou proporções inesperadas e o filme investiga o contato de um movimento social com um “estranho” ao mercado financeiro e as consequências desse encontro para a guinada pessoal, ética e política. Ou seja, o filme quer ser um elogio do coletivo, e pretende que nosso futuro enquanto sociedade está relacionado com nossa capacidade de reunir, sem preconceito, as forças sociais democráticas em nome de um projeto comum. Ninguém nasce um socialista empedernido ou um capitalista voraz. Ou seja, diante da degradação atual da sociedade brasileira, uma figura como Moreira tem sua relevância.

Você encontra uma belíssima citação de Paulo Emílio Salles Gomes e a usa como epígrafe que expõe seu objetivo no filme, quiçá no seu cinema, que é o de dar voz a quem foi calado pelo poder, neste caso o trabalhador sem-terra. Como a citação lhe veio para esta epígrafe? É o trecho de um livro?

Acho engraçado você falar em “meu cinema”, quando o que faço é um produto audiovisual que é resultado de minhas pesquisas enquanto historiador do cinema. Alguém que sempre está a investigar a memória audiovisual, a misturar vestígios de arquivos com a memória do presente. Eu não sou um cineasta, eu sou um pesquisador que faz filmes.

Você tem razão mais uma vez, a citação de um texto da fase política de Paulo Emilio na juventude, quando o intelectual se dividia entre a vida cultural e a vida política, orienta sobre as pretensões do filme. A citação foi colhida em um manifesto, escrito em 1945 para a União Democrática Socialista [publicado no livro Paulo Emilio: um intelectual na linha de frente] e informa que a formação da nação exige que as classes falantes se calem e ouçam a palavra dos trabalhadores do campo. Paulo Emilio Sales Gomes é o grande nome da memória audiovisual brasileira. Graças a ele temos uma cinemateca nacional, seu pensamento influenciou gerações e continua bastante vivo, como se os problemas de nossa “situação colonial” não deixassem de se repor. E Paulo Emilio ronda sempre minhas buscas. A citação foi extraída de um contexto antifascista, em que as diversas forças da sociedade deixavam de lado as diferenças para se unir contra a barbárie…

Gostaria de entender melhor a inserção do personagem renomado, ex-banqueiro branco de classe média que agora, tornado à esquerda, contribui criando crédito ao movimento. Por que ele percorre todo o filme?

Sim, foi Moreira quem encomendou o filme, seu trabalho também passa pela legitimidade proporcionada pelo audiovisual. O que não vejo como mero oportunismo. Sua guinada ética é sincera mesmo se os cacoetes de sua classe continuam presentes. O plano que encerra o filme, inspirado na estética do cinejornal [a clássica pose do patriarca e sua família no alpendre] e na máxima lampedusiana, aponta para a necessidade de mediações que ampliem as relações pessoais. Ou seja, sem Estado não há ação individual ou empenho coletivo que prevaleçam, as coisas mudam mas voltam para o lugar onde sempre estiveram.

Mas para além de sua presença como “dono da bola”, Moreira comparece como representante da ordem citadina, que vem de fora para sondar uma realidade singular e nós, como espectadores, nos identificamos diretamente com ele, com sua dicção, seus trejeitos, sua força econômica. Ele serve ao documentário como um duplo do espectador, estimulando-o a ver o MST sem os filtros do militante engajado e dono de uma narrativa estabelecida pelo movimento social. Moreira serve ao filme como elemento estrangeiro ao movimento social, que permite um olhar mais livre do preconceito cristalizado pelos meios de comunicação. João Paulo Pacífico, outro artífice da operação junto ao mercado financeiro, tem papel semelhante, assim como outras personalidades entrevistadas no filme. Por isso, Moreira acompanha o filme como elemento romanesco que cede espaço a uma temporalidade mais dilatada, histórica, que o antecede e o ultrapassa.

Acho extraordinária a abertura, um trator que se movimenta na água, visto de cima por um drone, como se a repetir o movimento de um pincel de aquarela. À parte ser um importante e aparente paradoxo, o de citar a água quando ao falar do sem-terra, visto ser ele um “zelador da natureza”, como esclarece Stédile em uma de suas falas, o elemento parece ser uma assinatura sua, presente também no início do documentário sobre Ruy Guerra. Por que escolheu a água para abrir este filme?

Pode ser que a água seja uma figura de estilo inconsciente. Tenho estudos sobre Jean Vigo e Leon Hirszman que destacam o elemento essencial. É verdade que a água é um aspecto da poética de Ruy Guerra, no caso as águas do Atlântico Sul. É verdade também que água é um tema caro ao MST, visto que a “zeladoria da natureza” que eles promovem cuida da terra e, necessariamente, da água. Nas cercanias de Porto Alegre estive em um grande açude recuperado pelo movimento que atendia não apenas a suas plantações, mas também a pequenas cidades. Por isso, mais do que uma figura de estilo, o plano de abertura do trator procura evidenciar o quanto o filme busca se aproximar do meio ambiente para evidenciar a grandeza do projeto de preservação, produção e habitação do MST.

Seleni de Fátima de Lima e Heleni Terezinha de Lima, filha e mãe a integrar o Movimento Sem-Terra

Um objetivo importante do filme, conforme diz João Pedro Stédile a certa altura, parece ser o de constituir uma fonte de informação para o “povão”, que jamais terá a oportunidade de conhecer o movimento por dentro, pelo que ele realmente é, através dos meios de comunicação de massa brasileiros, tão comprometidos com o capital financeiro. Me parece que foi um objetivo cumprido belamente na feitura do filme. O que está pensado como distribuição para este documentário, para que ele seja conhecido amplamente?

Sim, o filme busca uma forma simples, uma forma humilde capaz de narrar o MST. O filme tem a consciência de que é apenas uma entre outras homenagens cinematográficas possíveis ao movimento. Como disse, a estrutura do filme foi se consolidando ao longo do processo de filmagem, em diálogo com os membros do MST. O filme quer estar a serviço do MST, quer ser um produto comunicativo, mesmo se para isso evita o sensacionalismo.

Como uma encomenda, a produção pertence ao Instituto Conhecimento Liberta que decidirá sobre as formas de distribuição, em conjunto com a Lira Filmes, a companhia responsável pela produção executiva do filme.

O historiador Adilson Mendes, que dirigiu De quanta terra precisa o homem?

Você já tem outros projetos fílmicos engatilhados depois deste? Imagino que continue com sua carreira como professor? Como pretende equilibrar essas atividades?

Tenho muitos projetos que pretendo realizar, que estão ligados a resultados de minhas pesquisas enquanto historiador. Documentários e filmes de ficção. Mas está muito difícil produzir qualquer coisa no Brasil. O campo do audiovisual foi desmantelado nos últimos anos e quem persiste em produzir precisa ter uma couraça bem forte. Como dizia Kulechov em seu manual de direção: “Requisito número um para a direção cinematográfica: saúde.” No caso brasileiro, onde a saúde sempre é pouca e as saúvas, muitas, é preciso muita sorte para se encontrar a parceria adequada.

Neste momento preparo um filme sobre a formação da favela de Heliópolis. Um documentário feito com moradores históricos e jovens habitantes da maior favela de São Paulo. O filme é feito coletivamente, de maneira totalmente independente e com total parceria com jovens universitários moradores de Heliópolis.

Como equilibrar a feitura de filmes com o trabalho de pesquisa e docência? Eis uma questão para a qual não tenho resposta. Apenas busco a complementaridade e não ficar na mediania de um e de outro.

Exibições do filme durante a 46 Mostra Internacional de Cinema em São Paulo:

SESSÃO 1

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 1       

28/10/22 – 21h15

SESSÃO 2

CINE MARQUISE Sala 2     

 31/10/22 – 16h45

DE QUANTA TERRA PRECISA O HOMEM?

Brasil

2022   cor   74 min.   

Documentário  

direção Adilson Mendes

Roteiro Adilson Mendes, Felipe de Moraes 

fotografia Carine Wallauer

montagem Fábio Costa Menezes

design de produção Magda Figueiredo

música Dino Vicente

produção Juliana Lira

produzido por Lira Filmes