Você veja como vivemos na escuridão.

Nos Estados Unidos, o Metgala, evento da moda no Met, reúne o escambau de personalidades sob o tema camp.

Cada célebre veste sua interpretação para o exagero maneirista que começou a surgir com os tenebristas, passou pela art nouveau e é abraçado pelo mundo drag. A roteirista e atriz Lena Waithe aparece no tapete vermelho com a provocativa declaração bordada: “As drags negras inventaram o camp”.

E então vem o Twitter a incendiar interpretações sobre o que cada modelo está usando (eles amam sem saber o nosso Clovis Bornay…) ou sobre a pertinência ao tema de Lady Gaga e de um sem-número de artistas…

Críticas, trocas de impressões, e de repente uma drag do Ru Paul espalha um pdf com o famoso texto de Susan Sontag sobre o assunto…

Um pdf via Twitter, pessoas! Pra orientar o pensamento! Um texto para que o mundo pop use como referência!

Quando veremos esta simples coisa (ler e sugerir leitura) ser feita de forma natural por aqui?

Quando?

Sejamos sinceros: o anti-intelectualismo é nosso companheiro bem antes do ministro kafta, do conje moro ou do fã bozó!

Estamos tão f.!

Duas crianças para dois líderes

Na primeira foto, em meio às montanhas de seu retiro na Baviera, o chanceler Adolf Hitler abraça sorridente Rosa Bernile Niernau, com 6 anos de idade naquele 1933 em que ele ascendia ao cargo de premiê da Alemanha. A avó de Rosa era judia, mas, mesmo depois de descobrir o fato, Hitler se recusou a cortar laços de amizade com a menina. As flores sobre o papel fotográfico foram pintadas por Rosa, apelidada pelos nazistas de “a criança do Führer”. Hitler guardou a imagem tirada por Heinrich Hoffmann depois de inscrever, em seu verso: “A querida e considerada Rosa Bernile Niernau, Munique, 16 de junho de 1933.” A peça foi leiloada em Maryland no ano passado por 11,5 mil dólares e o colecionador, não revelado.

Na foto abaixo, de Sérgio Lima, Jair Bolsonaro sorri extasiado ao erguer nos braços Yasmin Alves, 8 anos, durante a visita que fez a sua casa na região de Estrutural, uma das mais pobres do Distrito Federal. A justificativa oficial para a visita, realizada neste abril de 2019 em que Bolsonaro completa três meses à frente da presidência do Brasil, é desfazer o mal-entendido de que anteriormente a criança tivesse se negado a cumprimentá-lo. Yasmin é negra, ele sabe disso e nós também.

Todo político faz fotos com crianças.

O político populista as utiliza para propaganda.

E só o tempo, ou a história, ensina o que eles decidiram propagar.

Paul Klee, querer-te moderno

Paul Klee, mostra rara no CCBB

Um professor da Bauhaus que espraiou a fé moderna.

Um cavaleiro azul, como Kandinsky.

Irrepreensível autor de abstrações.

E mais talvez não saibamos, neste distante Brasil, sobre Paul Klee, morto aos 60 anos, em 1940, na Suíça onde nasceu.

Ele não foi um Picasso da boemia aspirante ao salão burguês. Não se exibiu com raras sedas entre mecenas marquesas para chocar os burgueses. Nem conhecia pessoalmente os grandes modernos europeus…

Teve uma mulher, pianista, a musa Lily, que por um tempo o sustentou, e com ela viveu até o fim. E junto aos dois, o filho Fritz.

“Lily”, 1905, lápis e aquarela sobre papel sobre cartão

Não há saias e seios que se insinuem como escândalo em sua obra artística. Mas suas mulheres às vezes fogem de um predador.

“Perseguição”, 1932, bico de pena sobre papel sobre cartão

Existem avós, equilibristas, circo e humor nele…

“Equilibrista”, 1923, litogravura

Sem contar os homens partidos.

“Jovem proletário”, 1911, óleo sobre cartão

Temos certeza de que Klee foi um moderno?

Melhor dizendo, o mais moderno?

No Museu de Arte Moderna de São Paulo, está a única obra em acervo do artista no país, uma água forte de 1914 cujo título é perfeito: “Mundo Pequeno”.

Mas, sejamos justos.

Todos os títulos que Klee deu a suas obras tocam a perfeição. Títulos não raro saídos de sua imaginação poética aleatória, depois de ele tomar vinho com a esposa e brincar com Fritz:

“Avô dirigível”, 1939, bico de pena sobre papel sobre cartão

“Um rosto também do corpo”, 1939, tinta de cola e óleo sobre papel sobre cartão “Um marinheiro pressente seu fim”, 1938, tinta de cola sobre papel

Talvez em razão deste tão amplo desconhecimento, nós nos esqueçamos da poesia que exista em cada Klee. Ou nos sintamos tão incorretos ao evocá-la numa arte entendida como um processo de criação…

A poesia, usualmente nós a vemos como um derramamento.

Sentimentos parecem não combinar com a racionalidade vanguardista. E mal identificamos os rios transbordando em uma obra dele…

Mas pensar não é um sentir?

Pois Paul Klee derramou-se, sim, em muitas águas familiares, diz-nos esta exposição de 120 obras no CCBB-SP tão belamente intitulada “Equilíbrio Instável”.

“Retrato de uma criança”, 1908, aquarela sobre papel

A mostra foi preparada especialmente para os brasileiros pelo Zentrum Paul Klee, de Berna, que possui quatro mil de seus trabalhos.

(“Equilíbrio Instável” se encaixa tão bem no Brasil, não é?)

Em estilos diversos, inspirado na natureza, na geometria, no movimento, na síntese, Klee transbordou-se em sua trajetória.

Expressionista, cubista, surrealista?

“Mulher no banho de sol”, 1939, aquarela e lápis sobre papel sobre cartão

“Eu sou meu estilo”, ele escreveu no seu diário em 1902, aos 22 anos.

Na maioria das vezes, contudo, transbordou-se em papel. Uns quinze por cento apenas de suas dez mil obras são pinturas.

E desenhos reduzem o impacto da solidez para um mercado. O que fazemos com eles? Como os colocamos nas paredes?

“Fantasma cristão”, 1939, giz sobre papel sobre cartão

Klee começou a esboçar bem cedo, por incentivo da avó, dona Anna Catharina Rosina Frick. Desenhos em que mulheres são damas entronizadas com altivez e mistério.

“Cavalo, trenó, duas senhoras”, 1884, lápis e giz sobre papel sobre cartão

Nas aulas de nu artístico italianas, poderia eventualmente colocar-lhe rabos…

“Sem título”, 1899, lápis sobre cartão

Sua Lily vem representada de todas as maneiras. Ela tem perfil pra existir em Toulouse Lautrec.

“Lily”, 1905, lápis e aquarela sobre papel sobre cartão

Mas esta mostra plena de delicadeza, cronologicamente preparada pela curadora Fabienne Eggelhöffer em três andares do CCBB, tem muitas surpresas.

Por exemplo, uma natural ascendência sobre artistas do final daquele século como Basquiat, nos estudos sobre anatomia e nas representações que quase ensinam a grafitar…

“A entrada da trompa”, 1939, carvão sobre papel sobre cartão

Especialmente falam aos tempos e ao coração suas representações sobre o nazismo, nunca diretas, antes evocadas como profundo e íntimo testemunho…

“Acusação na rua”, 1933, giz sobre papel sobre cartão

Alguém como ele, que não pôde mais ensinar na Alemanha por ter sido apontado como judeu (o “crime” judeu!), sem nem contudo o ser… Alguém que teve a casa revirada e que precisou voltar às pressas a Berna com a família, em 1933, por conta da acusação de praticar uma arte “degenerada”…

“Riscado da lista”, 1933, óleo sobre papel sobre cartão

Quero deixá-los com os anjos de Klee, situados no andar privilegiado de sua obra tardia. A doença autoimune que se manifestou nele no decorrer dos últimos anos, uma esclerodermia, endureceu sua pele e articulações…

“Anjo esquecido”, 1939, lápis sobre papel sobre cartão

Mas, mesmo assim, não parou de trabalhar…

Notem o humor! A expressão precisa! Nossos olhares que percorrem todas as dimensões do desenho!

“Anjo feio”, 1939, giz sobre papel sobre cartão

Que artista.

E ainda podemos vê-lo! Nem tudo perdemos.

EQUILÍBRIO INSTÁVEL.

Paul Klee.

CCBB-SP, de 13 de fevereiro a 29 de abril de 2019.

Entrada gratuita.

ccbbsp@bb.com.br

Não estou lá

Não entendo esta foto muito bem.

Minha mãe deve estar em Fortaleza (conjecturo por seus trajes, pela cadeira, o piso) nos dando remédio na rede.

Minha mãe era farmacêutica e amava nos medicar.

Era algo que sabia fazer mais do que mexer na cozinha.

Também gostava de nos ensinar a escrever.

Embora não lesse pra nós.

Minha dúvida não vem de suas preferências ou saberes como mãe.

Vem do fato de que meu pai cortou a foto.

Suponho que seja eu a medicada, mas quem sabe possa ser meu irmão, bastante cuidado, até com banhos artificiais de luz, por ter sofrido um início de raquitismo.

Papai nos cortou na cópia em papel porque mamãe ficou mais bonita sozinha?

Ou o corte existiu desde a hora de fazer a foto, no negativo?

O que sei é que mamãe foi muito intensamente amada por ele.

E quando ela morreu, há exatos dois anos, a vida de papai foi ficando miúda também.

Esta é a mãe carinhosa que meu pai queria ter.

Perdão, a mulher.

Então esteja bem, mulher.

Conosco, mãe.

Tudo, mesmo longo, é tão rápido de viver.

Tudo deverá ter valido, eu sei.

até porque

Nunca trabalhei numa redação livre.

Nossas opiniões como jornalistas e mesmo nossas apurações, se em direção contrária aos interesses do dono, nunca existiram no meu Brasil.

Só para dar um exemplinho tosco, não pude publicar grande matéria sobre uma exposição do David Bowie na última dessas redações em que trabalhei.

(O dono não gostava do Bowie e isto bastava, entendeu?)

Nós apenas tentávamos passar a notícia, ou nossa consciência sobre a verdade dos fatos, por debaixo do pano, meio que distraindo as feras.

E sempre pareceu insulto aos patrões que um jornalista tivesse preferências políticas diferentes daquelas da direção.

Na Folha, durante a entrevista de seleção, tinham esse interesse salivante em saber se a gente era filiada ao PT.

(Outra tosqueira pra vocês entenderem o joio nesse trigo todo).

Nunca trabalhei numa repartição pública.

Mas fico pensando que numa redação de estatal escrevemos para todos os brasileiros, pagos por todos eles.

E que não caberia então vigiar preferências políticas pessoais de profissionais habilitados a informar, muito menos demiti-los apenas por preferirem aquele partido a este.

Mas é só uma impressão minha mesmo enquanto espero o exame de sangue sair.

Até porque o jornalismo, né.

As armas do crítico célebre

Não foi a primeira vez.

Nos meus 35 anos como jornalista, jamais deixei de sentir o machismo que me perseguia e silenciava.

Chefes e patrões exerceram o assédio e a humilhação em relação a mim e a meu trabalho inúmeras vezes.

Daria um livro sujo se eu contasse tudo o que aconteceu, a rigor, desde os dias de aluna de graduação em jornalismo na Escola de Comunicações e Artes da USP, lá nos 1980.

O processo é contínuo.

Pouco tempo atrás, fui demitida junto à única outra jornalista de minha equipe cultural para que a revista onde eu trabalhava cedesse lugar a três homens, num golpe a meu ver sem precedentes nesse meio profissional.

O que sofri ontem, portanto, não é novo e persegue essa linha de silenciamento, usual na academia também.

Vou contar o que aconteceu, mas primeiro gostaria de dizer uma coisa que embasa todas as outras.

Dificilmente aceitarão se você, mulher, ousar escrever sobre cinema ou exercer a crítica cinematográfica no Brasil, não importa a habilitação que tenha para tal.

E só adentraremos o clube privê com muita luta, ignorando a rejeição.

Ontem ouvi o grito alto de um homem que por muito tempo foi (ou vem sendo) o crítico dos críticos na imprensa brasileira.

Inácio Araújo, ele mesmo.

Araújo escreveu em seu blog não compreender a razão de a cinematografia do diretor Ugo Giorgetti ter sido sempre ignorada pela academia no Brasil.

E louvava o fato de que a Unicamp acolhera neste ano uma residência sobre o trabalho do artista, num reconhecimento inédito.

Li isto e pensei: o quê?

Fiz um mestrado na Universidade de São Paulo, orientado pelo professor Elias Thomé Saliba, que resultou em livro sobre o artista. “O Cineasta Historiador” foi publicado pela editora Alameda em 2015.

E antes desse livro, em 2004, escrevi um depoimento sobre a carreira cinematográfica de Giorgetti intitulado “O Sonho Intacto”, publicado pela Imprensa Oficial.

Fui a primeira a estudar o assunto, com detalhamento, no Brasil.

Não por acaso, a própria Unicamp, por meio de seu Instituto de Estudos Avançados, e durante aquela mesma residência citada pelo crítico (e à qual ele também compareceu, mas na plateia, em dia distinto) acolheu-me para expor meu estudo em torno do humor, que denominei “frio”, na obra do artista.

O que Araújo ignora a respeito de tudo isto, a ponto de colocar à sombra o que escrevi?

O homem célebre pode não gostar do que escrevi. Pode estar pensando em produzir algo a seu modo, ou mais específico, sobre a obra do amigo. Pode almejar, ele próprio, a academia.

Digo eu: almeje direito!

Porque ignorar um trabalho no qual, aliás, cito um trecho por ele assinado, não é um bom começo…

Ademais, como homem da informação, ele agiu por irresponsabilidade ou intuito?

Acho que tenho a resposta.

Ele não praticou esse ocultamento à toa.

Vejo um machismo, consciente ou não, a orientar o silenciamento da produção intelectual de uma mulher.

Um colega igualmente crítico, ao saber do que houve e lamentar o ocorrido, jogou panos quentes sobre esse constrangimento.

Disse que eu deveria relevar o que o grande Araújo escreveu, a gafe que cometeu.

Ele estaria velho e alquebrado…

Me perdoe, não relevo.

A idade apenas traz o que somos, aprofundado pelo tempo.

E por que lhes digo essas coisas?

Não vou mudar o que o Araújo é. Nem o que seus partidários são. Mas quero compartilhar a história em prol de nosso fortalecimento. A gente não deseja para os outros o que sofreu.

E, felizmente, todas nós ainda temos bons olhos pra ver.

Tudo e nada

Três horas da tarde na Paulista e todos haviam desistido.

O sol não voltava atrás.

Refrescar-se, particularmente, só na longínqua e rebelde lembrança dos temporais.

O caminho para o supermercado Pão de Açúcar passava pela drogaria Onofre, para onde eu iria depois.

Mas eis que nesse rumo entre a farmácia e o mercado eu deparava com ela, solitária a três, num canto de sombra, na parte inferior de um muro.

O olfato de seu cachorro, crescido nos últimos tempos, parecia aos berros…

E Ana Isabele, fora do carrinho, junto à mãe, sentada a seu lado no chão, balançava.

Isabele que eu não conhecia, filha nova…

Quando agarrou-se à garrafa de plástico, porque parecia necessário apoiar-se nela, a criança de cinco meses sorriu pra mim.

Ana Isabele tinha nome de princesa.

Viva, esperta.

Ana e Isabel.

E sua mãe, Vitória, era a rainha.

“A Ana Isabele não puxou a minha inteligência, ainda bem, mas a do pai.”

Vitória cria a menina e seu irmão Felipe fazendo-os acreditar que nasceram da mesma desesperança, do mesmo pai.

Um trabalhador da rua, contudo, que sempre estará interessado nele.

Felipe nunca vai ser informado de que seu pai é diferente daquele de Isabele.

“Nem vai perceber.”

Vitória sabe o que faz.

Sentada, olha seus bíceps.

Eu me aproximo mais e lhe dou um litro de leite e bolachas, sempre certa de que dou pouco a quem precisa.

Nem abre o pacote.

Vitória está feliz.

O marido passa pela avenida Paulista vendendo pano de prato.

Ana Isabele sorri porque a adversidade nada lhe diz.

O sol queima o plástico da garrafa, como na vida, quando nos pressionam e machucam até que não suportemos.

Mas o brilho na superfície chama a atenção de quem se interessar.

Ficamos aqui sentados neste chão que ferve um pouco mais, na esperança de que alguém apareça.

Só um pouco mais.

se depois houver

rolo a timeline de alguns amigos e concluo uma coisa maravilhosa.

eles desconhecem a velhice.

e penso: ainda bem!

porque, em sua maioria, eles igualam o velho ao ruim.

o velho pode ser ruim, por que não?

porém, a depender.

(e se dependesse de nossa poesia brasileira, feita por jovens tão brilhantes, de casimiro de abreu a Leminski, talvez eu me conformasse com o novo, como uma garantia…).

enfim, dizendo simplesmente,

talvez urgentemente,

não foi por ter envelhecido que Silvio Santos se tornou o escroto que é.

ele o foi antes.

e ele o será depois, quando, como e se o depois houver.

O desbarato do humor

Certo.

Seu último filme nem vai ser lançado.

E o Woody Allen provavelmente vai morrer sem filmar outra vez.

Não que ele fosse o supra-sumo na direção, claro.

Mas era um humorista dos bons, sem dúvida.

Ficamos sem Woody Allen, então.

Ok!

Não se luta contra a corrente.

Ou talvez seja mais que isto.

Talvez, enfim, o humor não faça mais sentido pra ninguém.

Em lugar dele, chegamos à virulência, à gritaria, à prazerosa ofensa.

Jingle bells!

Bolas da vez!

A palavra obsessiva na direção de um único alvo.

Talvez a comédia toda tenha se tornado um desbarato.

Até uma humilhação, como quer nos provar a Hannah Gadsby naquele especial da netflix (sem conseguir, felizmente, no meu caso; a propósito, depois de destruir a comédia, que outra bandeira ela desejará erguer?; aposto que fará outro especial daqui a uns dez anos convidando a comédia a subir ao palco outra vez).

E aí eu me lembro que a Oprah Winfrey impulsionou esse movimento em que se pode mirar uma acusação contra um humorista, mesmo que ele tenha sido anteriormente absolvido pela justiça, e ainda ganhar toda a credibilidade política.

(Ah, às vezes tenho vontade de acender minha hashtag interior e apontar a vocês todos os jornalistazinhos do mal, minúsculos literais, que me acompanharam na vida profissional, tantos deles, esquerdistas; mas duvido que vocês fossem acreditar em mim, não pelo menos como acreditam na Mia Farrow; e haja dinheiro e paz de espírito pelo ralo dos tribunais, eu, hein?)

Facts are facts.

A Oprah se lançou contra Allen.

Mas o que fez com João de Deus?

Hum.

Abraçou.

“Interpretou”.

Com aquele seu sexto sentido de apresentadora de tevê para o charlatanismo.

Fato!

Senso de espetáculo, que é o que ela sabe fazer belamente…

Conversadeira muito inteligente, que imitou o sofá da Hebe por décadas!

Estranho o seu senso do que é espetacular.

Não vejo (digam que me engano) a Oprah gritar por aí a plenos pulmões o erro que cometeu neste caso.

Vai ver não viu graça, hahaha.

Depois que as acusações contra o Deus se tornaram inevitáveis, ela o tirou de sua página e acabou.

Muito correta!

E, claro, não libertou o Allen.

Não mesmo.

Ele não!

Porque isto parece impossível & inconveniente & estúpido demais neste momento.

Certo.

Mas eu sou desconfiada.

Acho que a história ainda chafurdará este detalhe insípido.

Por uma razão.

Sua lata de lixo nunca parece suficientemente cheia.

E ela vai desprezar logo quem insuflou João de Deus enquanto enterrava Woody Allen?

Duvi-de-o-dó.

A história!

A voracidade é tanta, gente.

Working in progress violento.

Queria pagar ingresso lá na frente.

Mas não sou nada, nunca serei nada…

Ou quem sabe dá tempo?