
“the many faces of billie holiday” (https://youtu.be/wiEcL372LD0, filme para a tevê de matthew seig) talvez seja o melhor documento que conheci sobre billie holiday.
nada de sensacional se apresenta nele exceto a voz da cantora, analisada e respeitada, neste filme de 1990, por alguns dos músicos e produtores que com ela conviveram e que permaneciam vivos à época.
(mal waldron, por exemplo, muito jovem quando chamado a acompanhá-la, tinha exatamente esse rosto sereno quando o vi tocar…)
billie sofre nas biografias.
apanha, literalmente, jogada ao chão.
há essa tendência de a retratar em meio à ruína, como acontece com a carolina de jesus.
mas eu gosto de billie como está aqui, linda e luminosa na maior parte das vezes… da mesma maneira que amo carolina sem o lenço na cabeça, elegante e digna no seu encontro com clarice.
billie sabia rir e chorar, evitava a impessoalidade, falava consigo enquanto cantava para os outros. e, ainda mais raro, comunicava o seu ser e sua história, a tristeza e a alegria de viver no mundo, em cada canção.
conheçam sua maneira moderna e a voz como um trompete do íntimo, à moda do ídolo louis armstrong…
descubram como sua arte sempre foi, à parte todos os ruídos e feridas da vida pública, esse saber interpretar.

Eles contêm a beleza de Murnau e de Douglas Sirk, a fotografia dos reflexos da alma.
vocês bem poderiam estar comigo da próxima vez que o suplicy aparecesse em manifestação.
Aqui, uma montagem com cenas de um seriado de televisão holandês de 1969,
A gente costuma pensar que Edward Hopper foi único em seu estilo regionalista, narrativo, imerso na naturalidade fotográfica. Mas nem tanto. Ele, que seguiu um espírito de época, também teve seguidores. E suas próprias primeiras pinturas e desenhos foram diferentes do trabalho final, assim como aconteceria com tantos, com Lucian Freud, um surrealista no início…
Sally Storch, nascida em 1952 e atualmente residente em Pasadena, nos EUA, admirava Hopper e Thomas Hart Benton, como se pode ver por estas imagens.
Porém, mais importante que eles em sua formação foi a convivência com as duas tias pintoras. Uma delas, tia-avó, privou da proximidade com Matisse na Paris dos anos 1920.
Sally conta histórias mais cálidas, interessadas, empáticas. A solidão não a movimenta ao isolamento distópico, como talvez tivesse ocorrido a Hopper. E ela parece estar representada nas próprias pinturas, reflexiva.
Não acho o Almodóvar o melhor diretor do mundo, mas gosto de muita coisa que ele fez e faz.