Muito de Lucy

Nicole Kidman como Lucille Ball em “Apresentando os Ricardos”,
de Aaron Sorkin

Fiquei animada quando o querido Sergio Gonzalez Santosh me contou sobre “Apresentando os Ricardos” e me disse que Nicole Kidman funcionava bem como Lucille Ball (1911-1989). Eis um personagem complicado de fazer, pensei, uma bela coadjuvante que, recusada como estrela à maneira de Crawford ou Hayworth, foi parar (não sem uma frustração inicial) no seu lugar de direito, a comédia, para ser uma das maiores.

O belo que, diziam, não combinava com a vocação de fazer rir. O belo que, sabia-se, funcionava mais à frente da câmera do que atrás. O belo que, para a mulher, era um destino rapidamente findo, visto que os 30 anos não perdoavam ninguém. Foi preciso que a série “I Love Lucy” enterrasse toda essa futurologia hollywoodiana de uma vez.

Comediante física herdeira do cinema mudo, cuja máscara falava por si, e perfeccionista da gag, além de atriz, Lucille era também humorista, no sentido de que produzia, escrevia, reescrevia e dirigia o próprio humor. No mundo da tevê dos anos 1950, nada a impediu de estraçalhar o palco à maneira de um Harpo Marx, com quem aliás contracenou em um episódio da série, perfeita até para os gostos conservadores da perseguição macarthista, embora, é claro, se tenha tentado destruí-la por sua antiga filiação ao Partido Comunista, episódio que este filme de Aaron Sorkin aborda.

“Bossy” com Bardem

Sim, Aaron Sorkin, o mesmo Sorkin de “Os Sete de Chicago” cuja marca como escritor é o encadeamento fluido de situações que se resolvem com diálogos no mais das vezes curtos. O que me impressionou bastante, além das atuações de Kidman e de Javier Bardem (Desi Arnaz), J K Simmons (Fred) e Nina Arianda (Ethel), foi a capacidade do autor de desvelar o mito da alegria, segundo o qual, por ser humorista, o sujeito é feliz.

E não é. A melancolia regeu do Barão de Itararé a Chico Anysio e Judy Holiday (comediante vencedora do Oscar que, diz este filme, Lucille detestava com todo o coração), e até parece ser uma condição para provocar o riso. Só o verdadeiro humorista (não aquele que humilha o fraco, pois isso não é humor, é só coronelismo) sabe do grande trabalho envolvido em sair da própria posição anímica para alcançar o sublime, um estado de libertação das correntes opressivas que nos sustentam, mesmo que por alguns minutos.

Lucille Ball era “bossy”, ensina-nos este filme, mal-humorada e durona de verdade, algo que se entrevê nas entrevistas de época durante as quais não ri. E não era possível dirigi-la – algo que parece acontecer comumente com os artistas da comédia física. Com ela, só funcionava a sugestão, enquanto os produtores, diretores e roteiristas (havia uma roteirista em sua equipe, Madelyn Pug) reivindicavam autoria para o próprio trabalho, sem conhecer a máxima de Billy Wilder segundo a qual fazer um roteiro é preparar a cama para o diretor pular em cima.

Nicole Kidman, que nunca me animou demais como atriz, está mesmo excelente aqui. Sorkin não quis que ela se maquiasse ou ganhasse enchimentos para se parecer com Lucy – e não haveria mesmo como se parecer, exceto se a buscasse fundo. Na gestualidade. Na voz. É impressionante a sua interpretação vocal. E muito surpreendente seu desenrolar físico. Na gag do barril de uvas no qual ela pisa para achar um brinco, estamos realmente diante de Lucy.

É claro que toda a dificuldade de Lucille em se impor na carreira, segundo este filme, equipara-se àquela de manter a seu lado o marido, o Desi “Desiderio” mulherengo inferiorizado que, em Bardem, ganha sua porção de doçura e deslumbre. E ainda por cima, no fim, um twist nos trai… Mas por que exigir tudo de uma cinebiografia que se pode ver em casa, no streaming da Amazon Prime ou no download maneiro pelo computador? O que importa é que a rara oportunidade de contar a história de Lucy tenha sido bem aproveitada, como foi.

Wishful thinking

Vocês se consideram já um tanto acabados?

Eu sim, louca pro ano ter fim, embora essa divisão do tempo me pareça um tanto nada, e eu me sinta outra não exatamente passados doze meses, mas vários anos, pessoa de décadas que sou.

Neste momento sinto aquela exaustão em relação a temas e tentativas de inserção. A gente escreve, a gente participa, a gente acredita, a gente quer que nossas ideias cheguem àquele capaz de acolhê-las… Por que não desistimos, simplesmente? Vocês são assim, tenho certeza, muitos de vocês como eu, cansados dessas tentativas.

Vou mudando. Sinto que despistei os algoritmos e não fico sabendo, pelas redes sociais, de toda nova calamidade política. Muitas vezes espero o dia amanhecer, que é quando tenho energia para enfrentar a distribuição dos ossos, e tudo fica melhor.

Ocasionalmente decido acompanhar por aqui uma superfície que atinge a todos, filmes e programas de televisão cuja autoria é no mais das vezes difusa. Quem dirige o Roda Viva daquele jeito? Quem concebeu “Não olhe pra cima”? Dá pra dirigir o Adnet?

Tudo o que acontece, ou quase tudo, neste mundinho a que estamos condenados, me parece denunciar sua cara de produto, nada tão incrível que ostente notável autoria ou possa desfazer um olhar antigo, um rótulo. Mas, ainda assim, se tudo toca as pessoas tão intensamente, tenho de procurar entender a razão coletiva.

Vício meu?

Vício meu.

Porque a rede social é meu fusca, não meu trem. Estou aqui para falar de perto, não distante. Vocês são um, não mil.

Quando eu escrevia sobre essas diversões na imprensa, enfrentava a dificuldade de não pensar como os outros, visto que os repertórios individuais dos receptores variavam mesmo. E tudo se agravou com a chegada da internet, onde o interlocutor desconhecido parecia colocar o nariz no meu vidro…

Muitos colegas se deram bem com isso, ou exatamente por isso, pois já nasceram no braço-abraço das gentes, dançando a partir de sua visão comum. E eu não, muito invisível até mesmo pro meu gosto, rs.

E agora que me sinto relativamente livre disso, de fazer essa intermediação entre a informação e o público, às vezes mergulho nesta rede social para deparar com quem leve tudo a sério demais e me cobre que eu seja uma espécie de espelho.

Quando se escreve rapidamente aqui sobre um filme, escreve-se sobre si mesmo a partir de um filme. Então, se você não quer se expor desse jeito, aconselho a piada curta, a observação sacana, a charge! Qualquer coisa que possa livrá-lo desse carregamento.

Quem sabe tudo esteja a caminho da mudança e essas relações líquidas se tornem melhores, num novo compasso? É o que vou desejando pra mim e pra vocês, nós que vivemos de desejar o inalcançável, o belo, o justo, o bem.

“Não olhe pra cima”, uma catarse para combater os negacionistas

Cate Blanchett e Tyler Perry no telejornal diurno de “Não olhe para cima”, de Adam McKay, na Netflix

Entendi “Não olhe para cima” como um entretenimento de Netflix, uma comédia na medida das minisséries, que comenta nossos tempos terraplanistas justamente para que nos aliviemos deles.

Os atores são experimentados e lidam bem com o gênero cômico. O roteiro amalucado não chega a mimetizar aqueles dos irmãos Zucker, sempre a se espelhar em outros filmes, mas segue as leis da paródia social, botando no chão (não pra cima, justamente) os tipos da atualidade política, da ciência, do jornalismo, dos super ricos, das celebridades, da branquitude estadunidense, dos negacionistas.

Demorei pra reconhecer a Cate Blanchett com aquela dentadura e a maquiagem que mimetiza as superbotocadas da televisão… Como sempre, uma atriz e tanto.

Só não entendi por que bater tanta boca por este filme.

É pra ser catártico, não pra nos fazer sofrer, ou me engano?

O nó manso de Caetano

Caetano Veloso durante o programa Roda Viva de 20 de dezembro de 2021

Vi agora o Caê no Roda Viva.

Manso, né?

E sem espaço para responder as coisas direito.

Porque é a Vera Magalhães quem estabelece o ritmo da conversa – e ela o faz constantemente impondo os temas, cortando as falas do artista e dos entrevistadores, fechando os pacotinhos dos blocos ao seu estilo, coroado pelo sorriso de amiga da onça do Péricles. Tudo tem de caber na sua caixinha de visão de mundo – algo que me fez lembrar do Jaider Esbell reclamando dos curadores da Bienal, aliás.

A certa altura Leonardo Lichote pergunta a Caê como vê o futuro da masculinidade – de seus próprios três meninos homens – em um mundo que com justiça a contesta e ele dá uma volta enorme para responder, dizendo-se apenas o mais feminino entre os quatro músicos da família. E ninguém se lembra do que ele falou a uma repórter lá nos anos 1980: que o homem era “superior física e intelectualmente à mulher”.

Caetano agora não quer provocar ninguém e seus entrevistadores estão ali pra cuidar dele – e até bronqueá-lo educadamente por usar a palavra “mulato” com que designa seu pai. Mesmo um deslocado Luiz Antônio Simas, que afinal de contas não é um especialista em Caetano e ninguém sabe por que a Vera convidou, só está lá pra animar a festa.

Algumas deixas importantes de Caê não foram trabalhadas pelos entrevistadores ou porque a Vera os interrompeu ou por falta de informação dos mesmos. Quando Caetano fala de Carmen Costa, por exemplo, ninguém aproveita a deixa. Ele a conheceu? Algo dela foi incorporado em sua música? E até de Carlinhos Lyra ninguém parece ter muita ideia, embora ele o cite como o preferido de Gil na bossa nova. A razão estaria no violão ou no quê? Por que Gil preferiria Lyra a João Gilberto? E o violão de Caetano, a quem se deve?

O artista diz muitas coisas interessantes. Por exemplo, entende o brasileiro como um ser triste e suspeita que foi Vinicius de Moraes a lhe atribuir alegria…

Caetano lembra que no seu tempo era comum que a tristeza brasileira fosse compreendida como resultante da miscigenação de três raças. E então? Ninguém vai problematizar isso? Ou lembrar de onde essa ideia veio – do Paulo Prado de “Retrato do Brasil – Ensaio sobre a tristeza brasileira”? Por outro lado, firme, aquela que parece ser a substituta de Leonardo Lichote em O Globo quer saber direito essa história da incapacidade de Caetano de ter uma ereção na cela da prisão militar.

Enfim, Caetano é Caetano e eu o amo na mesma medida que lamento uma face medíocre da imprensa brasileira, incluída aí a revista de Senhor Democracia, que por sinal me impediu de ir ao Rio entrevistar o “liberaloide” junto a Maria Gadú quando os dois lançaram um disco juntos (tive a oportunidade de contar isso à própria Gadú e ela ficou de cara).

Meu gostar de Caetano sempre foi condenado por quem o via “pior que Chico” tanto na imprensa de esquerda quanto na universidade sob a ditadura. E minha identificação com sua música me colocou fora do eixo da compostura intelectual… Mas ele foi e ainda é pra mim uma importante essência da musicalidade brasileira – especialmente quando sua cachoeira de palavras de ecos românticos e até parnasianos desemboca naquele rio de sonoridades africanas.

Por fim, em um delicioso momento da conversa, Caetano também condena a imprensa ao sublinhar que, na direção contrária dos periódicos brasileiros (cuja importância ele relativiza diante das redes sociais), sempre viu com suspeição a lava jato de Dallagnol e Moro. “Me desculpe”, diz a Vera – e Vera se cala.

Acho que, sim, pulei da poltrona nessa hora.

Embora manso, este novo Caetano não perdeu o juízo, certo?

Velhofobia eterna

A Mirian Goldenberg escreve sobre velhofobia na Folha e todos se tocam para o problema.
Será que não o tinham percebido antes?
Mas é assim mesmo.
A professora tem esse poder midiático de destacar as questões comportamentais urgentes.
Como pesquisadora, faz o sonhado por muita gente, ou seja,
estuda o que a sua própria faixa etário-social de burguesa urge.
E vai mudando o ângulo das pesquisas conforme envelhece.
Me lembro dela há muitos anos dizendo que a mulher, depois dos 40, deveria descer na escala social se quisesse pegar homens…
Achei e acho uó, mas seu assunto, como eu disse, já é outro.
Enfim, admiro que consiga crescer como mulher fazendo da teoria um instrumento de autopoder.

Meus primeiros fios de cabelo branco surgiram aos 9.
Era a mais alta entre os amigos de escola, ninguém queria namorar comigo e quando finalmente me puseram de anjo na procissão, eu mais parecia a noiva.
Era a que mais se esforçava pra fazer tudo acontecer na classe, a que sempre tinha de organizar tudo.
Além disso, maternal por ser a mais velha entre três irmãos…
Aos 35 anos já me chamavam de senhora e quando completei 50 descobri que andaria de pé no ônibus apenas se insistisse em negar as ofertas de assento, para mim ofensivas.
Lá dentro me sentia tão menina!
Ainda me sinto.

Hoje, depois de muito hesitar, fui nadar sozinha ao ar livre.
E me vi potente, imagine só.
Toda a vergonha por estar 10 quilos mais gorda e me sentir uns 20 mais velha desapareceu.
Eu sou uma classe média emocionalmente adoentada pela pandemia, mas as mulheres que vi na piscina do Sesc não pareciam sofrer do que sofro, muitas delas com seus lindos corpos cheios de proeminências, ou curvas, expressão que a Ru Paula usa para substituir gordura no Drag Race.
E, entre essas frequentadoras, várias negras exuberantes.
Me deram uma lição.
Provei desse piscinão de Ramos premium – água sem cloro, instalações novas e limpas, povo barulhento, povo feliz – com muita alegria no coração.

Velhofobia é humilhante e poderia ser evitável.

Como diz a própria Goldenberg no tal artigo confessional, até por nós mesmos que envelhecemos.

no uber, o intransponível

Às vezes você se ilude achando que não vai precisar discutir mais certas coisas, de tão ultrapassadas.

Mas é claro que certas coisas continuam intransponíveis.

Pego o uber e o motorista de uns 35 anos, já com um início de calvície, usa um boné maneiro. Somado a seu estado corporal, ele é uma espécie de Chorão do Charlie Brown sem a consciência crítica. Todo ele, pelo contrário, é mais a fúria inconsciente.

Vamos para a Barra Funda, que em certos trechos, mais funda não poderia ser.

– Esses caras espalhados pelo chão me dão uma raiva – o motorista vai dizendo.

– Raiva por quê? – vou perguntando, em lugar de sabiamente interromper a possibilidade de discussão.

– O problema, eu acho, é esse tal de direitos humanos – ele responde.

– Por que direitos humanos seriam um problema?

– Porque essas pessoas que ficam na rua matam inocentes.

– E você acha que sem direitos humanos se faz justiça?

– Não sei. Elas não folgam, ao menos. Eu sei que tem miséria no meio, mas tem também malandragem.

– Malandragem é morar ao relento?

– Malandragem assim, como vi outro dia. O amigo disse pro outro: “Trabalhar pra quê se a gente recebe o dinheiro do Bolsonaro?”

– Quanta ignorância, né amigo?

– Muita!

– Você sabe que o dinheiro não é do Bolsonaro, né? É nosso!

– É nosso, claro!

– E ele nem queria distribuir pros pobres, né? Foi o Congresso que obrigou.

– Isso!

– Então. Que sentido faz pedir o fim dos direitos humanos? Isso é pedir o fim dos nossos direitos. Dos nossos, que não somos ricos. O direito a um julgamento justo. Porque os ricos não vão presos, certo?

– Não vão, é revoltante, o povo não aguenta mais!

– Então. Sem direitos humanos, quem vai decidir sobre nossa vida? Quem vai nos defender? O Bolsonaro?

– Ele é que não!

– Então não vamos pedir o fim dos direitos humanos, tá? É nossa garantia de sobrevivência.

– Mas que me dá uma raiva a senhora não imagina.

– Raiva do povo ou raiva do Bolsonaro? Você precisa escolher.

– Tenho mais raiva do povo. Mas vou pensar, prometo.

Otto Guerra em autorretrato

O escritor e produtor de cinema narra com especial humor sua sina no desenho brasileiro

A bela, fluida e bukowskiana autopornografia de Otto Guerra

Dos livros lindos que recebo.

Você lê esta autobiografia do desenhista e produtor de cinema Otto Guerra de uma sentada só (ops).

“Nem doeu (autopornografia)” prova o que o seu humor fluido-surreal-alucinante porno-bukowskiano pode fazer por nós num país tão desgraçado quanto este.

Podemos rir!

Mas não rimos dele só porque somos maus. Rimos porque a saga deste escritor nem difere da nossa tanto assim.

E porque podemos, estimulados pelo homem, quebrar realmente tudo.

A editora do novo livro de Otto Guerra é a Mmarte (mmarteproducoes.com) e os editores, Márcio Jr e Márcia Deretti.

A cara desses bozós dos infernos

No livreto de Márcio Jr, alguns dos aterradores personagens da sanha genocida

Cachorrinho de madame, Podridão da morte: perfeitos codinomes para procuradores e ministros

Dos livros lindos que recebo.

“Com a palavra (inapropriado para menores de 18 anos, evangélicos e bolsonaristas)” reúne os desafios de Márcio Jr (marciomechanics@hotmail.com) no festival Inktober de 2019.

Márcio Paixão Júnior é desenhista e editor de sua arte na mmarteproducoes@hotmail.com

Suas criaturinhas são os inimigos que disputaremos na fila do soco quando a revolução acontecer.

Bozós, olavos, micheques, malafaias estão todos lá, retratados como se deve.

Liberdade, igualdade, fraternidade, puberdade, obscenidade!

E todos à Bastilha amanhã, s’il vous plait.

“Com a palavra”, de Márcio Jr,
autor e editor

Um precursor norueguês da fotografia de rua

O matemático Carl Størmer e seu hábito de clicar escondido que antecipou um campo para a arte fotográfica

Aos 19 anos, o estudante de matemática norueguês Carl Størmer (1874-1957) comprou uma câmera oculta. Era tão pequena que a lente se encaixava na casa de botão de seu colete, com um cordão a descer até o bolso, permitindo que ele acionasse o mecanismo secretamente.

Uma paixão o levou à fotografia. Quando era jovem na Universidade de Oslo, o matemático, que posteriormente se especializou no estudo das auroras boreais, atraiu-se por uma desconhecida, mas sua timidez não lhe permitiu familiarizar-se com ela. Desejoso de ao menos ter uma foto dessa mulher, decidiu tirá-la sem o seu conhecimento. A partir disso, adquiriu o hábito de fotografar as ruas de Oslo e chegou a registrar celebridades como Ibsen. A atividade lhe rendeu 500 imagens entre 1893 e 1897.

Via My Modern Met e Wikipedia